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16/07/2021 12h21

CIÚME - SERÁ MESMO O TEMPERO DA RELAÇÃO?

Por Nádia Guimarães

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     O ciúme romântico é um dos temas mais importantes que envolvem os relacionamentos humanos. Já esteve relacionado à paixão, devoção, zelo, à honra e também a moral.Você se considera ciumento(a)? Como você lida com o ciúme? A palavra ciúme, vem do latim zelúmen, do grego zelosus, que significa zelo, no sentido de cuidar, tomar conta para que não se perca algo ou alguém que se tem apreço.

        Infelizmente, existe a crença do amor romântico, que é o modelo de amor que fundamenta os relacionamentos na nossa cultura, de que se não houver ciúmes, não existe amor. E para a grande maioria das pessoas uma dose de ciúmes parece ser necessária para apimentar a relação. Para alguns casais, reações enciumadas do parceiro podem ser percebidas como prisões e até mesmo invasão de privacidade.

            A maioria das pessoas sentem ou já sentiram ciúme, e é o poder que se dá a esse sentimento que faz a diferença nos relacionamentos. E falando sério: o ciúme não deve ser visto como tempero para “apimentar” a relação.

            Primeiro, porque ninguém é dono de ninguém; e segundo porque amor não tem nada a ver com sentimentos de posse ou controle. Na verdade, ele muitas vezes pode azedar a convivência pouco a pouco, em vez de temperá-la.

            Muitas vezes o ciúme passa dos limites, provocando reações irracionais, violentas, o sentimento acaba sendo uma exigência de posse exclusiva, gerando inclusive instabilidade neurótica ou de auto-afirmação. A pessoa pode apresentar uma sensação permanente de angústia e instabilidade, insegurança em relação a si e ao outro.

            Romantizar o ciúme pode gerar um sentimento tóxico e pode trazer consequências negativas para o relacionamento. Para a psicóloga e terapeuta de casal Sandra Samaritano, de São Paulo (SP), sentir ciúmes é natural, principalmente no início de um romance. "Você ainda não conhece direito a pessoa nem sabe a história de vida dela, pondera. Porém, à medida que a relação vai evoluindo, a posse e a mania de controle, frutos de uma baixa autoestima, causam insegurança, dúvida, medo e, sobretudo, um processo de tentar acompanhar os passos do outro a cada minuto, numa vigilância nociva e, em alguns casos, abusiva.”

            Quando o ciúme passa a ser doentio, há uma crença dolorosa de que se é vítima de uma traição. A pessoa ciumenta começa a criar e até a acreditar que está sendo traída com outras pessoas. Muitas vezes perde a noção dos seus atos e também das consequências dos mesmos.

            A pessoa adoecida pelo ciúme patológico torna-se obcecada pelo parceiro. Ela começa a viver para o outro, esperando que ele também viva por ela e espera que a pessoa dê significado à sua própria vida. O “zelo” de cuidar do outro começa a ficar de forma descontrolada, obsessiva e a pessoa acaba por abandonar o seu desenvolvimento e a sua realização pessoal e começa a viver em função do outro e para o outro.

            Se existe uma dosagem ideal de ciúme, esta vai variar de casal para casal, mas, via de regra, não extrapola os limites pessoais nem faz com que os envolvidos se sintam "presos" a uma relação que deveria proporcionar apenas alegria, prazer e companheirismo.

            É muito complicado e desgastante manter um relacionamento com alguém controlador e manipulador, quando a pessoa se sente culpada e incapaz por não aceitar o “amor” recebido. Dessa forma,o ciúme torna-se uma doença, quando o parceiro deixa de ser uma pessoa e passa ser uma propriedade, um objeto de posse que deve ser defendido a qualquer custo.

            A pessoa doente pelo ciúme começa a agir de forma compulsiva, invadindo a privacidade do outro, abrindo correspondências, mexendo nos bolsos, no celular, nas redes sociais, fazendo um perfil falso para tentar “cavar” provas de infidelidade e muitas outras atitudes extremas.  E aí vem a pergunta: qual a fronteira entre cuidado e controle? Até que ponto esse sentimento de ciúmes pode ser considerado saudável? Esses limites devem ser definidos na própria relação, através do dialogo franco e aberto. Vale ressaltar que um dos pilares de um relacionamento saudável é a confiança entre os parceiros e que se for quebrada ou questionada é um terreno fértil para dúvidas, inseguranças e ciúmes venenosos.                                                                                                             Procure conversar sobre o assunto com o seu parceiro ou parceira, diga como se sente para que juntos tentem as alternativas que permitam que o verdadeiro amor, que é baseado na confiança e na cumplicidade, possa florescer entre vocês. Lembrando que, o alto índice de crimes passionais que vemos hoje em dia está fundamentado nesse ciúme “envenenado” e patológico.Um relacionamento saudável e de confiança é fundamental para que a relação se fortaleça baseada no amor. Mas se perceber que a situação está fugindo do controle e está tomando uma proporção maior do que aquela que vocês podem administrar sozinhos busque ajuda especializada.

 

Definitivamente, Ciúme não é tempero do Amor!

Quem ama “zela”! Pense nisso!

Nádia Guimarães

Sexóloga e Educadora Sexual

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