31/07/2026 21h16
Política também é cultura!
Esta fase de definição das chapas é bastante tensa para muitos candidatos.
A pré-campanha, que começa mansinha, vai acelerando. A maioria segura o bolso e gasta mais sola de sapato. O negócio é expor a imagem, conversar com o povo e aparecer em todo lugar: festa de bairro, reunião de associação, aniversário de liderança e até inauguração de pinguela.
Tem gente que passou quatro anos desaparecida, mas, de repente, olha ela ali, comendo pastel na barraquinha e abraçando até quem não conhece. Vale tudo para pontuar nas pesquisas, ganhar relevância e, finalmente, ser candidato de verdade.
O FILTRO É ESTREITO
Há partidos com 40 vagas e 200 pré-candidatos. Alguns têm poderio financeiro, regiões bem estabelecidas e grande conhecimento público. Esses estão praticamente garantidos. Todo partido quer candidato forte, principalmente quando ele traz votos — e, se trouxer estrutura junto, melhor ainda.
Mas muitos não passarão pelo crivo. Alguns, depois de analisar o cenário, optam por uma desistência honrosa e anunciam apoio a outro candidato com mais chances. Outros lançaram a pré-candidatura justamente para negociar esse apoio e oferecer palanque a alguém mais forte.
Na política, até a desistência pode ser estratégica. Às vezes, o candidato perde a candidatura, mas ganha um lugar na fotografia.
AS CONVENÇÕES SÃO MUITO FESTIVAS
Quem participa de uma convenção sai dali convencido da vitória. Aliás, talvez seja por isso que se chamem convenções: todo mundo sai convencido.
São festas coloridas, vibrantes e cuidadosamente entusiasmadas. A deputaiada entra em êxtase junto com a militância. Discursos inflamados garantem que a vitória está próxima, mesmo quando as pesquisas dizem que ela ainda mora bem longe.
Todos são cadastrados e passam a receber mensagens, vídeos, artes e palavras de ordem para compartilhar com amigos, parentes, vizinhos e com aquele grupo de WhatsApp que estava silencioso desde a eleição passada. É nas redes que o bicho vai pegar.
Alguns partidos já realizaram suas convenções e definiram os candidatos. Muitos, porém, vão esticar a negociação até 5 de agosto. Em política, enquanto o prazo não termina, ninguém está completamente dentro — nem completamente fora.
PRIMO RICO E PRIMO POBRE
Há candidatos com um poderio financeiro tão grande que chega a ser covardia. Passam por cima dos adversários como um rolo compressor. Arregimentam um exército de cabos eleitorais, promovem churrascadas e ainda contam com o apoio de empresários, parceiros e outros beneficiários — atuais ou esperançosos.
Enquanto isso, os mais novos tentam compensar a falta de dinheiro com criatividade, disposição e muito vídeo gravado no celular. Cleitinho chegou assim: com linguagem popular, presença constante nas redes e um jeito próprio de se comunicar.
Na eleição, uns chegam de carreata. Outros chegam de carona. O importante é conseguir chegar.
E, POR FALAR EM CLEITINHO...
Ele embaralhou bastante a eleição para o Governo de Minas.
A esquerda namorou Rodrigo Pacheco, Marília Campos e Alexandre Kalil, mas caminha para Patrus Ananias. Na direita, Cleitinho aparecia muito à frente nas pesquisas. Mateus Simões ainda não conseguiu crescer como precisava. Chegaram a mencionar Vittorio Medioli e, agora, surgiu também o nome de Marcelo Aro, tirando Cleitinho do páreo por imposição da direção nacional do partido. Cleitinho está recorrendo a todas as instâncias possíveis.
É uma dança das cadeiras em que a música ainda tá tocando. O problema é que tem mais candidatos do que cadeiras — e ninguém quer ficar de pé .
SENADOR
Nas pesquisas, Marília Campos aparece na frente. Carlos Viana vinha pontuando em segundo lugar, mas seu partido ameaça retirá-lo do páreo e colocar Marcelo Aro em seu lugar.
Domingos Sávio corre por fora, amparado por uma forte estrutura partidária e uma longa trajetória política. São oito mandatos eletivos: um de vereador, um de prefeito de Divinópolis, dois de deputado estadual e quatro de deputado federal. Dentre os candidatos, é o que tem melhor currículo e tende a subir igual foguete quando as campanhas caírem nas ruas.
PARA PRESIDENTE
Lula lidera as pesquisas há algum tempo, mas a expectativa é de uma eleição acirrada.
Existe uma polarização nacional bastante clara, com aqueles que naturalmente votam na direita ou na esquerda. No meio está a massa que decide a eleição a partir daquilo que enxerga como melhor — ou, em muitos casos, como menos pior.
É esse eleitor do meio que todos tentam conquistar. Ele é paquerado pela direita, cortejado pela esquerda e bombardeado pelos dois lados. Até outubro, receberá promessas suficientes para resolver os problemas do Brasil, de Minas, do município, da rua e, se bobear, até o vazamento da pia.
POLÍTICA É IGUAL NUVEM
O velho ditado continua valendo: política é igual nuvem. Você olha, está de um jeito. Olha novamente, já mudou.
Em Minas, então, a nuvem faz curva, sobe montanha, entra em negociação e pode chover no partido vizinho.
Até 5 de agosto, data limite das convenções, ainda haverá muita conversa, pressão e mudança de planos. Depois, até 15 de agosto, vêm os registros das candidaturas. No dia 16, começa oficialmente a propaganda eleitoral.
Até lá, vai rolar muito calmante, churrasco e cachaça. O calmante é para segurar a ansiedade. O churrasco, para juntar apoiadores. E a cachaça,para comemorar; ou para esquecer.
Já quem não passar pelo filtro terá coisa mais séria com que se preocupar: chorar o prejuízo da pré-campanha. Para alguns, muito dinheiro. Para outros, gasolina, sola de sapato e centenas de abraços distribuídos sem retorno eleitoral.
Mas há ganhos na derrota, aprendizado, casca.
E como dizia Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”
Marcos Martino