05/12/2025 09h52
Lucidez e coragem
Conversamos com o Deputado Estadual Bernardo Mucida. Ele foi professor universitário, na área do direito constitucional. Nasceu em Belo Horizonte, mas fez carreira política em Itabira, um jovem com grande capacidade intelectual e claras bandeiras de luta, que amadureceu bastante como político e o mais importante: é da região, conhece nossa realidade e tem muita firmeza em suas posições e ações. Mas vamos à entrevista.
BOM DIA - Sua atuação tem sido marcada pela defesa firme da diversificação econômica das cidades mineradoras. Na sua avaliação, essa pauta realmente encontra eco no eleitorado?
Bernardo Mucida - Sim. E cada vez mais. As pessoas podem não usar o termo “diversificação econômica”, mas elas sentem na pele a dependência de uma única atividade. Quando a mineração reduz turnos ou posterga investimentos, a cidade inteira balança: comércio esvazia, renda cai, serviços ficam instáveis. Então, quando eu defendo a diversificação, estou falando da vida real — de garantir que a cidade não desabe quando a mineração muda o ciclo. Não é mais uma pauta de futuro, é de proteção imediata.
BOM DIA - Muitos eleitores convivem diariamente com problemas urgentes — emprego, saúde, transporte, renda. Como o senhor responde à crítica de que discutir diversificação econômica pode parecer distante das necessidades imediatas das famílias?
Bernardo Mucida - Pelo contrário: ela nasce justamente das necessidades urgentes. Quando a pessoa tem dificuldade no posto de saúde ou não encontra emprego, isso tem relação direta com a falta de uma economia mais forte e mais variada. A diversificação não é “um sonho distante” — é o caminho para melhorar o presente. A cidade que atrai empresas, turismo, serviços e tecnologia cria emprego, aumenta a arrecadação e melhora o atendimento público. É plantar hoje para colher amanhã, mas com impacto imediato no cotidiano.
BOM DIA - Em Itabira, sua principal base, existe a tensão permanente entre a dependência da mineração e o risco de esgotamento das jazidas. Como convencer o eleitor de que planejar o pós-mineração não significa ser “contra a mineração”?
Bernardo Mucida - Eu venho de uma região mineradora, respeito os trabalhadores e reconheço o papel que a mineração tem na nossa história. Mas defender planejamento não é atacar ninguém — é proteger a população. O minério vai acabar. Essa é a única certeza. Quem ama a cidade tem a obrigação moral de planejar o depois. Ser responsável não é ser contra; é garantir que, quando o ciclo mudar, as pessoas tenham oportunidades reais, e não apenas recordações de um tempo que passou.
BOM DIA - Vc cobra mais transparência e responsabilização da Vale. Como equilibrar essa cobrança com a necessidade de manter empregos, estabilidade econômica e investimentos nas cidades mineradoras?
Bernardo Mucida - Com firmeza e responsabilidade. A Vale é uma empresa gigante, e justamente por isso tem condições de cumprir suas obrigações — sociais, ambientais e econômicas — sem afetar os trabalhadores. Minha cobrança nunca foi para fechar portas; é para abrir transparência. A cidade não pode ficar refém de decisões tomadas longe daqui. Fiscalizar é garantir segurança, desenvolvimento e justiça. Quando o poder público atua com autonomia, quem ganha é a população — inclusive os trabalhadores da mineração.
BOM DIA - O prefeito Augusto Henrique, de Rio Piracicaba, é hoje uma das lideranças regionais de maior aprovação e preside a AMEPI. Há perspectiva de diálogo mais estruturado ou até de uma parceria política?
Bernardo Mucida - Diálogo, sempre. Para defender os interesses da Região, mais ainda. Eu respeito o trabalho do prefeito Augusto, reconheço que ele tem feito uma gestão bem avaliada e que exerce liderança importante na AMEPI. Política se faz com diálogo. Divergências partidárias não podem ser maiores do que os interesses das pessoas. Se for para fortalecer o Médio Piracicaba, estarei junto.
BOM DIA - Diversas lideranças afirmam que falta ao Médio Piracicaba uma representação política mais forte em Brasília. O senhor acredita que o prefeito Augusto pode ocupar essa lacuna?
Bernardo Mucida - Pode, sim. A região precisa de lideranças com voz e capacidade de articulação. Se o Augusto decidir dar esse passo, terá condições de representar a região em pautas nacionais importantes. O mais importante é manter a unidade regional, independente de quem ocupe cada espaço institucional.
BOM DIA - Você pretende disputar a eleição pelo PSB ou ainda avalia alternativas partidárias dentro do campo político em que atua?
Bernardo Mucida - Eu tenho respeito pelo PSB, mas também tenho responsabilidade com o projeto regional. Estou dialogando, avaliando cenários, ouvindo lideranças e entendendo qual partido oferece melhores condições para representar a região. Não tenho vaidade partidária — tenho compromisso com as pessoas. A decisão virá no momento certo e será tomada com transparência.
BOM DIA - Nas últimas eleições, sua votação foi expressiva para um suplente que assumiu o mandato posteriormente. O que mudou de lá para cá? Como o senhor enxerga hoje seu capital político?
Bernardo Mucida - Muita coisa mudou. Primeiro, amadureci. Vivi um mandato intenso, aprendi com acertos e erros e mantive firme minha coerência. Depois, a região também mudou: o ciclo da mineração está mais tenso, os municípios estão mais pressionados e as pessoas querem representação forte. Hoje tenho mais experiência, mais diálogo regional, mais clareza do caminho e, principalmente, ainda mais disposição para trabalhar.
BOM DIA - Em tempos de comunicação acelerada, falar de sustentabilidade, planejamento e futuro das cidades mineradoras pode parecer uma pauta “impopular”. As pessoas entendem essa urgência ou ainda há resistência?
Bernardo Mucida - O que é impopular é o abandono. As pessoas querem segurança, emprego, cidade limpa, água garantida, barragens seguras. Tudo isso é sustentabilidade aplicada. A pauta ambiental não é luxo: é cuidado com a vida das pessoas. Quando eu defendo planejamento e responsabilidade, estou defendendo que nenhuma família tenha que viver com medo, e que nenhuma cidade seja deixada para trás.
BOM DIA - A mineração continua sendo o maior motor econômico da região, mas há sinais de desgaste e incertezas quanto ao futuro. Quais setores ou atividades o senhor considera, na prática, alternativas viáveis para a diversificação?
Bernardo Mucida -Não existe fórmula mágica, mas existe caminho: turismo regional, economia criativa, energias renováveis, tecnologia, serviços especializados, agricultura de base local e parcerias com universidades. Itabira já tem uma universidade federal, tem história, cultura, belezas naturais e localização estratégica. A região tem potencial enorme — falta é política pública firme para transformar potencial em emprego.
BOM DIA - A região enfrenta desigualdades internas profundas: municípios com grande arrecadação convivem ao lado de cidades com baixa capacidade de investimento. Que tipo de pacto regional o senhor defende para reduzir essas assimetrias?
Bernardo Mucida - Municípios grandes e pequenos precisam trabalhar juntos: compartilhamento de serviços, consórcios de saúde, integração de transporte, planejamento de infraestrutura e articulação perante o Estado e Brasília. Quando cada cidade age isoladamente, todas perdem. Quando atuam como bloco, ganham força.
BOM DIA - Há quem diga que parlamentares com discurso técnico podem perder conexão com o eleitor comum. O senhor concorda com essa crítica? O que tem feito para construir uma presença mais próxima e sensível ao cotidiano das pessoas?
Bernardo Mucida - Se for mal explicado, perde a conexão. Por isso, aprendi a falar menos sobre conceitos e mais sobre vida real. A técnica é fundamental para decidir bem — mas ela precisa chegar às pessoas numa linguagem simples, sem arrogância e sem distância. Eu venho fazendo isso: andando pelos bairros, ouvindo as famílias, entendendo o cotidiano. A boa política nasce do chão, não do gabinete.
BOM DIA - Como vc avalia sua comunicação política hoje? Há pontos que reconhece precisar ajustar para ampliar a percepção de que suas propostas têm impacto real na vida imediata das pessoas?
Bernardo Mucida - Melhorei, mas ainda tenho desafios. Aprendi que comunicação não é só explicar ideias — é mostrar resultado. Tenho buscado ser mais direto, mais próximo e mais transparente. E, principalmente, mostrar como cada pauta tem impacto imediato no dia a dia das pessoas. Esse tem sido meu foco.
BOM DIA - Para finalizar: por que o eleitor das cidades mineradoras deveria apostar que vc representa o caminho mais seguro e responsável para o presente e o futuro da região?
Bernardo Mucida - Porque eu não vendo ilusão e tenho experiência. Eu falo a verdade, mesmo quando ela é dura. Eu conheço a região, sei dos seus desafios e sei o que precisa ser feito. Tenho coerência, preparo e coragem para enfrentar os temas que muitos evitam. Mineração e futuro não precisam competir. Dá para defender os dois — e é isso que eu faço. Eu represento um caminho responsável, seguro e comprometido com a vida das pessoas e com o desenvolvimento das nossas cidades.
(Marcos Martino)
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