AMEPI faz ótimo trabalho buscando diversificar
Composta por 18 cidades, o MÉDIO PIRACICABA revela contrastes profundos entre polos mineradores e municípios de vocação rural.
Enquanto a mineração impulsiona as maiores economias do Médio Piracicaba, outros municípios da região seguem buscando alternativas para fortalecer sua arrecadação e melhorar a qualidade de vida da população.
De acordo com levantamento recente, oito cidades com base na mineração concentram as maiores arrecadações da região: Itabira, Barão de Cocais, Santa Bárbara, Nova Era, Rio Piracicaba, São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Maria de Itabira e Catas Altas. Juntas, elas puxam a locomotiva econômica do Médio Piracicaba. Itabira, berço da mineração no Brasil, lidera com folga: arrecadou mais de R$ 1,3 bilhão no último ano.
Logo atrás, São Gonçalo do Rio Abaixo (R$ 475 milhões) e João Monlevade (R$ 457 milhões) também se destacam. No caso de Monlevade, o protagonismo é da siderurgia, com a presença da ArcelorMittal, reforçando a importância histórica e econômica da cidade.
Em contrapartida, municípios com territórios amplos e população reduzida como Dom Silvério, Dionísio, Bom Jesus do Amparo e Sem Peixe, enfrentam uma realidade bem diferente. Apesar de áreas superiores a 170 km², têm arrecadações abaixo de R$ 40 milhões. A explicação está na baixa produtividade agropecuária, marcada por atividades de subsistência, falta de infraestrutura e pouco investimento em inovação rural.
AMEPI trabalha para reduzir disparidades
Nesse cenário de contrastes, a AMEPI (Associação dos Municípios do Médio Piracicaba) vem desempenhando um papel estratégico. A entidade tem se destacado por unir os prefeitos da região em torno de pautas comuns, buscando viabilizar uma área de livre comércio, integração econômica e fortalecimento do turismo regional.
Entre as iniciativas, destacam-se a criação de consórcios para serviços compartilhados, projetos de capacitação e ações para atrair turistas ao patrimônio natural e histórico da região, que inclui cachoeiras, serras e construções do ciclo do ouro.
O objetivo é construir uma agenda de desenvolvimento sustentável que equilibre as forças econômicas, sem depender quase exclusivamente da mineração.
O novo presidente AUGUSTO HENRIQUE tem feito um trabalho interessante, tirando a AMEPI do gabinete e fazendo um trabalho itinerante.
A campanha “Eu sou MÉDIO PIRACICABA” é uma ação importante no sentido de amplificar o sentimento de pertencimento, de popularização da instituição e envolvimento da sociedade nos assuntos regionais.
Potencial a ser explorado
Apesar das desigualdades, os municípios do Médio Piracicaba compartilham pontos em comum que podem ser melhor trabalhados: a riqueza ambiental, a proximidade com grandes centros, a cultura regional viva e a história comum ligada ao ciclo do ferro e ao agro.
A aposta em turismo integrado, agroindústria sustentável e valorização da economia criativa pode oferecer caminhos para diversificação. Mas, para isso, será preciso investimento, visão de futuro e cooperação entre os gestores públicos.
Se por um lado o ferro move a economia da região, por outro, o desafio está em construir um futuro que não dependa apenas do que se extrai do chão — mas também do que se constrói em conjunto.