20/03/2026 07h57
Coluna do Marcos Martino
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A manifestação em Fonseca, pela MG-326, é mais do que justa. É o grito de um povo que há anos sofre com o descaso e com promessas vazias de políticos oportunistas. Infelizmente, desta vez, o protesto , que seguia de forma ordeira , terminou marcado por episódios que aumentaram ainda mais a indignação dos moradores.Segundo relatos, a abordagem de parte da polícia foi excessiva. “Estava tudo tranquilo e controlado. Mas alguns policiais se exaltaram e agiram com agressividade, chegando a usar gás de pimenta, o que fez muita gente passar mal”, relataram manifestantes.A liderança comunitária Rejane Alves reforçou que o movimento não tem qualquer conotação político-partidária: “Somos moradores, fonsequenses da gema, que não aguentam mais tanta promessa e pouca ação.”
A POLÍCIA CUMPRE ORDENS.
Se foi ordenado ao destacamento que liberasse a via para passagens de carros e houve obstrução, apenas cumpriu o que foi determinado. Normal que haja indignação. Repressão nunca é confortável. O certo é que as pessoas estão indignadas com a situação da estrada e quem vê os vídeos e fotos da manifestação, eram mesmo pessoas comuns, idosos, mulheres, jovens. Houve um bate-boca ou outro, um episódio entre um sargento da polícia e um deputado mineiro que, claro, foi parar nas redes sociais. Aí cada um constrói a sua narrativa.
QUAL A MEDIDA DA CORTESIA DA POLÍCIA ?
Não dá pra recitar poesias pra bandido, nem pra quem tá descontrolado, nervos aflorados, disposto a agressão física. Parece que não era o caso. Alguns nativos acham que houve excessos. Alguns quando pegam microfone se exaltam. Na polícia também tem alguns mais moderados e educados e outros que são mais brutos. Mas...será que precisava de gás de pimenta?
MAS VAMOS AO QUE IMPORTA
As narrativas e memes não resolvem a situação. O que precisa é de racionalidade e resiliência. O que importa é viabilizar a estrada. Vamos contextualizar.
Fonseca vive uma condição peculiar. Embora pertença a Alvinópolis, mantém forte vínculo com Catas Altas, onde muitos moradores trabalham, especialmente nas mineradoras da região. Mesmo com mais de 5 mil habitantes, o distrito não se emancipou quando outras localidades menores conquistaram esse status. Até hoje, os motivos nunca foram totalmente esclarecidos.
O maior drama segue sendo a MG-326. Na seca, poeira. Na chuva, lama, atoleiros e trechos praticamente intransitáveis.A manutenção feita pelo DER-MG é, na maioria das vezes, tardia e insuficiente. Não é de hoje que os moradores se mobilizam. Em 2018, inclusive, já havia esse clamor. Na época, a própria Rejane Alves relatava o vai e vem de promessas não cumpridas — políticos que apareciam, prometiam asfalto e depois desapareciam.
Entre tantas promessas, houve uma ação concreta: a do deputado Gustavo Santana.Ele articulou junto ao governo do estado e ao DER-MG a elaboração do projeto de engenharia para o asfaltamento , um investimento de aproximadamente R$ 2,8 milhões. Um passo importante. Mas, até hoje, o projeto não saiu do papel. A publicação segue sendo adiada indefinidamente.
A pauta é legítima. O sofrimento é real. E a solução não pode mais ser adiada. Pessoas como Rejane e tantos outros fonsequenses representam resistência.A paciência pode estar cansada, mas a luta continua... E é dessa persistência que nasce a esperança.Tenho fé de que, em breve, esse problema será finalmente resolvido.
Viva Fonseca — terra de gente forte, que merece dignidade, respeito e um futuro melhor.