Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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30/10/2021 00h17

CÂNCER E SEXUALIDADE : PRECISAMOS FALAR SOBRE ISSO !

Se Ame! Se Toque! Se cuide!

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Estamos em outubro e este mês é dedicado ao Outubro Rosa, uma Campanha que visa chamar atenção das Mulheres para o auto cuidado. Mas engana-se quem pensa que o câncer de mama só atinge as mulheres. Os homens também podem ter câncer de mama, claro que em um percentual bem menor, mas sim, por isso todo cuidado e atenção se torna necessário.

Quando se fala em Câncer, muitas vezes a parte da Sexualidade é deixada de lado, como se não existisse e aí você pode falar: -“Estou em tratamento de câncer, nem estou pensando em Sexo...”

Em 2007, fui diagnosticada com um câncer no reto, aos 37 anos. Fiz radioterapia e quimioterapia, por causa do tratamento fiz menopausa precoce. Durante e após o tratamento em momento algum tive nenhuma orientação, nada foi falado. Nenhum médico conversou comigo sobre questões ligadas a sexualidade, sobre as mudanças e alterações que podem acontecer durante o tratamento. E assim, por causa das minhas questões pessoais comecei a estudar, pesquisar, saí em busca de informações que pudessem me orientar e ajudar a amenizar os efeitos causados pelo tratamento oncológico e da menopausa: libido, falta de lubrificação, ansiedade, entre outros. Nessa busca, percebi que nós mulheres, independente de termos tido uma doença ou não, somos muito carentes de informações e orientações em todas as áreas, principalmente na parte da Sexualidade.

Voltando ao tema central do texto, posso responder a fala acima. Se durante o tratamento do câncer, você tem uma parceria, e essa parceria quiser ter relação sexual, então sim, você precisa falar, entender e principalmente pensar em sexo.

Você sabe a diferença entre Sexo e Sexualidade? Explico: Sexo é macho, fêmea, homem, mulher, sexo é uma atividade, algo que inclui outra pessoa. Já a Sexualidade é a maneira como você se vê, sente sobre si mesmo, ela muda ao longo da vida, ela é influenciada pelo meio que você vive, sua religião e está diretamente ligada a intimidade ou a necessidade de proximidade e toque.

Para muitos pacientes, a sexualidade não é a primeira questão abordada nesse momento, ao receber o diagnóstico de câncer, porém, tanto o sexo quanto a sexualidade são de extrema importância na vida cotidiana.

Por que o câncer pode afetar sua sexualidade? Com o diagnóstico, vem junto mudanças físicas e emocionais, entender essas mudanças e ajustar a vivência da sexualidade irá fazer toda a diferença, durante e após o tratamento.

Manter viva a intimidade, o romance e a relação sexual com a parceira nesse momento pode ser um desafio, por isso precisamos falar sem medo, sem tabus, sem preconceitos e principalmente sem cobranças.

Falar abertamente sobre o câncer e seus desafios nem sempre é fácil e o mesmo pode ser dito sobre sexo. Infelizmente muitas pessoas acham que o diagnostico do câncer e o tratamento podem acabar com sua vida sexual. Claro que muita coisa muda e precisa de ajustes. Além das alterações físicas, tem o cansaço, as náuseas, nas mulheres também  podem ter falta da libido e o ressecamento vaginal, sem falar na auto-estima que fica muito afetada nesse momento. A perda do cabelo, sobrancelha,  algumas mulheres precisam retirar a mama completamente e isso, infelizmente traz uma grande dificuldade de aceitação por parte das mulheres, além do caos emocional que o diagnóstico traz.

A combinação desses temas tão delicados pode ser paralisante e cheio de receios. No entanto, estar aberto às mudanças inevitáveis que o câncer acarreta  para a vida sexual de qualquer pessoa é o primeiro passo para melhorar a situação e assim, conseguir superar esse momento desafiador.

O diálogo é essencial em qualquer época do relacionamento e nesse momento do tratamento, torna-se mais necessário ainda, para juntos – paciente e parceria – entenderem as questões que podem interferir na vivência da sexualidade.   Isso é fundamental para a recuperação total. E se a pessoa não está em um relacionamento sério, pode ainda ter essa percepção mais afetada ainda, sobre como e quando dizer ao possível parceiro sobre a sua condição.

A dica? Seja específica e direta. Você, mais que ninguém, conhece seu corpo e sente os seus desejos. Converse abertamente com seu parceiro, fale quando não estiver afim e o que te incomoda.

Falar sobre sexo pode ser novo para você, mas encare a mudança como positiva. O sexo e a intimidade acontecem aos poucos, com tempo, carinho e amor. Tudo pode voltar a ser como era antes, com alguns ajustes se necessário. Não tenha pressa.

Nem todos os médicos e enfermeiros ficam a vontade para falar sobre questões sexuais. Como vivi essas questões, oriento a procurar ajudar de um psicólogo, psiquiatra ou sexólogo, para conversar sobre sua intimidade, medos, desafios e as questões sexuais.

E vale lembrar que, Sexo não é só Penetração. Envolve também outras práticas que são muito prazerosas e super importantes. Essa é a hora de aprender mais sobre você, seu corpo, seu gosto e principalmente sobre o que te dá prazer!

Se Ame! Se Toque! Se cuide!

 

Nádia Guimarães

Sexóloga, Consultora em Saúde e Educação Sexual

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