Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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10/09/2021 09h25

DEPRESSÃO E SEXUALIDADE

Setembro amarelo

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Você sabia que a depressão pode afetar gravemente a vida sexual de uma pessoa? Mas também pudera, né? Depressão afeta tudo. Infelizmente nem sempre a pessoa se dá conta de que a depressão prejudica a vida sexual. Podendo inclusive colocar em risco o relacionamento amoroso.

Pois bem! O mês de setembro é o mês de prevenção do suicídio no Brasil. O Setembro Amarelo é uma campanha criada com o intuito de informar as pessoas sobre o suicídio, uma prática normalmente motivada pela depressão. Mesmo com tantos casos famosos, crescentes a cada ano, ainda existe uma grande barreira para falar sobre o assunto.

A depressão impacta os diversos campos da vida, inclusive a sexualidade. Quando falamos de depressão, muitas vezes pensamos que não tem nada a ver com o tema sexualidade. Apesar de vários tabus e preconceitos, todos dois fazem parte da nossa vida, sendo questões que interferem diretamente na nossa vivência como seres humanos e sexuais.

Na depressão um dos sintomas é a diminuição e até perda da libido, perda de interesse em coisas prazerosas, baixa da energia e junto com a fadiga vem a redução da vontade do ato sexual, afetando diretamente a vida afetiva do casal, afastando a pessoa ainda mais da vivência da sua sexualidade.

Normalmente a depressão afeta também a auto-estima e auto-imagem, o que leva a pessoa a não querer se arrumar, se sentindo menos confiante e atraente para si e para os outros. A pessoa acaba se isolando do convívio social e principalmente dos encontros amorosos, o que acaba alterando sua imagem como ser sexual. Outra dificuldade também na sexualidade é a de lidar com a excitação. Vem a preocupação e insegurança na hora dos encontros e também na hora do sexo, que pode vir acompanhada de impotência, falta de orgasmo, ansiedade, dificuldade para respirar, medo, entre outras questões, é visível os efeitosque a enfermidade pode causar em diversas questões tanto do corpo, quanto da mente.

Conforme uma pesquisa publicada pelo Journal of Sexual Medicine, onde foram entrevistados 200 homens, dentro da faixa etária de 20 a 77 anos e com níveis limítrofes de testosterona total entre 200 e 350 ng/dL, foi capaz de apontar dados que relacionam depressão e sexualidade. As informações colhidas pelo levantamento incluíam aspectos demográficos, histórico médico, uso de medicações, dentre outras, para apurar qual era a relação da quantidade de testosterona apresentada por esses homens em seus organismos e como ela afeta a saúde mental dos mesmos.Os resultados apontaram que a depressão e/ou sintomas depressivos estavam presentes em 56% dos participantes, totalizando mais da metade do grupo. A pesquisa também revelou que aqueles que faziam uso de medicamentos antidepressivos apresentam altas taxas de obesidade e baixo registro de atividades físicas. Eles representam ¼ do grupo pesquisado. Os sintomas mais relatados durante a pesquisa foram:  disfunção erétil, diminuição da libido, menos ereções matinais, baixa de energia e distúrbios do sono. É possível que entre os homens a doença seja sub-diagnosticada.”

E nas mulheres, como a depressão afeta? Segundo um estudo do Instituto Nielsen, a ligação entre depressão e sexualidade para as mulheres também é muito clara. A pesquisadora Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, afirma que a depressão afeta mais gravemente à mulher do que o homem: “Na mulher, ela [a depressão] é mais longa e os quadros são mais crônicos e recorrentes a depressão, metade também reclamava de baixo desejo sexual. Conforme a pesquisa da Doutora Abdo, o número de mulheres que fazem uso de antidepressivos e relatam algum tipo de disfunção sexual pode chegar a 70%.Resumindo, a depressão pode afetar negativamente o apetite e atividade sexuais femininos. O tratamento da doença agrava ainda mais os casos e a gravidade das disfunções sexuais. Os antidepressivos que normalmente são receitados nesses casos vêm acompanhados de para-efeitos sexuais como a diminuição da libido e a dificuldade de atingir o orgasmo.

Podemos afirmar com convicção, que a relação entre depressão e sexualidade, mais precisamente problemas relacionados ao sexo, afetam negativamente tanto homens quanto mulheres.

Então, mas lendo esse texto a gente fica pensando. Mas e aí? O que fazer? Existe esperança? Mas é claro que sim. É obvio que a solução é se cuidar, buscar ajuda, não ter medo ou vergonha de assumir que as coisas não estão legais e que não esta sabendo lidar sozinha(o) com os problemas.

Todos nós passamos por situações desafiadoras ao longo da vida. Entender que aquele momento não é para sempre e principalmente saber que a medicação é importante e necessária, mas a medicação sozinha não fará milagre. Por isso, peça ajuda de pessoas da família, parceiros, parceiras, amigos, ou profissionais competentes.

A saúde física e mental andam sempre juntas e não podem, em hipótese alguma, serem vistas de forma separada.E como boa notícia, cuidar de uma é automaticamente cuidar da outra, preservando nosso bem estar como um todo. A psicoterapia e os remédios são aliados no tratamento, assim como a prática de exercícios físicos.

Ressalto sempre a importância do diálogo aberto e sincero com a parceria, falando dos efeitos do transtorno, do tratamento, dos medos, das dúvidas e incertezas é uma das formas de estar presente nesse momento e ajudar a superar a depressão. Vale inclusive, buscar novas formas para explorar a sexualidade, o que pode ser benéficos para o sucesso do tratamento.

Na vida não existe a tecla de voltar, não temos como desfazer o passado, importe-se hoje, valorize agora e principalmente ouça com muita atenção.

Acolha hoje quem precisa de você! Amanhã pode ser tarde demais!!!

Nádia Guimarães

Sexóloga, Consultora em Saúde e Educação Sexual

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