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28/07/2020 13h55

Festa do Rosário de Caxambú: aos 100 anos de idade, morador lembra com satisfação dos primórdios da festa

Aos 100 anos de idade, morador lembra com satisfação dos primórdios da festa

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Rio Piracicaba - Um lugar onde se senti, respira e se vive intensamente a cultura, a arte, as tradições e a história de seu povo. Esse é o retrato fiel do distrito de Padre Pinto, pertencente ao município de Rio Piracicaba, mais conhecido como Caxambu.
Reconhecido em 2011 como Comunidade Quilombola pela Fundação Palmares, Caxambu, que possui cerca de 1.500 moradores e fica a 14 quilômetros de Rio Piracicaba, sentido a Alvinópolis, é um local que, além de acolhedor e aprazível de se viver e conhecer, com o natural sossego interiorano de Minas Gerais, carrega de forma latente suas tradições e se destaca pela valorização às suas raízes e história. Exemplo claro disso é a tradicional Festa do Rosário, também conhecida como Festa do Congado, realizada no mês de julho. Esse ano, em virtude da pandemia do Covid-19, o novo Coronavírus, a festa não foi realizada da forma convencional, atraindo turistas de várias cidade e regiões de Minas Gerais e até de outros estados. Além da riqueza do Congado, existe a Festa do Boi Fogueira, em maio, que também traz as danças e cantigas de Roda. 
Aos 100 anos de idade, um dos moradores mais antigos de Caxambu, o aposentando Raimundo Silva foi presidente do Congado no distrito e lembra com satisfação dos primórdios da festa. “Nós ensaiávamos em uma localidade chamada Canangui, próximo daqui. Tudo era chão de terra e as casas eram poucas e bem simples. Era bem diferente. Bons tempos. Boas lembranças. As novas gerações devem preservar”, lembra com orgulho.
A patologista Bárbara Bueno, nascida e criada em Caxambu, também fala com orgulho das tradições do local e destaca o respeito que as crianças e os jovens do distrito têm da história do lugar. “É bonito ver o respeito e a valorização das tradições que as novas gerações possuem aqui em Caxambu, em relação aos festejos, danças, crenças e fé religiosa. É muito bom ver que os moradores respeitam a história dos seus antepassados e o próprio lugar. Não podemos deixar morrer essas tradições, jamais. Essa é uma missão de todos nós e todos encaram dessa forma”, salienta.
 
Família Alcântara
 
Não há como falar em Caxambu sem também citar a riqueza cultural do Coral Família Alcântara, fundado no distrito há 50 anos. Formado por quatro gerações de uma mesma família, o Coral é composto por descendentes de escravos trazidos de Angola para Minas Gerais por volta de 1760, para trabalhar em fazendas da região. Daí o fato do local ser reconhecido como uma comunidade quilombola, formada por descendentes de escravos. Os quilombos eram comunidades formadas por escravos fugidos das fazendas. Esses lugares se transformaram em centros de resistências dos escravos negros que escapavam do trabalho forçado no Brasil.
O Coral Família Alcântara ganhou o Brasil e o mundo com sua arte musical, se apresentando em diversas cidades brasileiras, latino-americanas e europeias. O grupo também gravou discos e se apresentou em diversos programas de TV, como no famoso programa de entrevistas do humorista Jô Soares, na Rede Globo. O Coral também foi tema de um belo documentário exibido pela emissora de TV Rede Minas. 

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