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10/06/2020 13h22

Como lidar com a ansiedade, o medo e as incertezas durante a pandemia?

Como lidar com a ansiedade, o medo e as incertezas durante a pandemia?

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Com o objetivo de informar sobre a prevenção quanto aos efeitos psicológicos da pandemia na saúde e bem-estar das crianças e também na vida dos adultos, a Câmara de São Gonçalo do Rio Abaixo buscou informações com um especialista renomado na área para ajudar as pessoas neste momento de incertezas e ansiedade.

O Psicólogo, Professor, Neuropsicólogo e Doutor em Ciências da Educação, Alessandro Marimpietri, da Bahia, dá informações importantes sobre as mudanças e adaptações diante da pandemia do Coronavírus. O Dr. Alessandro também tem um canal o youtube sobre vários temas relacionados a sua área de atuação. Vale a pena conferir.

  1. Quais as consequências psicológicas que uma situação de pandemia pode gerar para as pessoas?


Podemos dizer que a depender de como lidamos com tudo isso podemos sair dessa situação grave e dolorosa com algum aprendizado que nos sirva, individual e coletivamente, depois que tudo isso passar.

Em geral, toda transformação no humano conta com uma crise, mas nem toda crise acarreta mudanças. Então o decisivo é o modo como vivenciamos tudo isso.

Nesse caso, são as chances de elaboração subjetiva e coletiva que temos para dar sentido a tudo isso que estamos vivendo e então podermos repactuar nossas formas de viver, especialmente no que se refere à coletividade.
 

  1. É notável que algumas crianças mudam o comportamento depois de algum tempo em isolamento social. Como perceber a mudança da criança que começa a ficar ansiosa ou depressiva em razão desse período? Quais seriam os “sintomas” nestes casos? E o que fazer para ajudar? Quando é o momento de buscar ajuda profissional?

É difícil generalizar já que quando falamos de crianças há um espectro grande que vai da variação etária até a de ordem subjetiva. Ou seja, um menino do nordeste de dois anos de idade é muito diferente de uma menina do sudeste de dez. Então, como uma recomendação mais geral, pensemos:
1) se a criança apresenta algum comportamento atípico e/ou piorado após a pandemia que chama a atenção dos seus cuidadores e que persiste no tempo;
2) se alguns marcadores de base do desenvolvimento estão alterados: sono, humor, alimentação, regulação emocional ou controle do xixi e coco por exemplo;
3) notar se a criança se revela alterada mesmo em contextos diferentes, ou seja, com pessoas diversas, por alguns dias ou em distintas atividades, não apenas em situações comuns como, por exemplo, privada de sono.
Nesses casos talvez valha a pena buscar ajuda de um profissional de saúde mental para avaliar a melhor conduta, se for o caso de alguma intervenção.
 

  1. Como os adultos podem vencer a ansiedade deste momento?


Manejo do estresse parece crucial, já que o novo exige da gente muitas adaptações e isso gera estresse. Criar a rotina como sugeri pode ajudar muito.

Evitar o excesso de notícias e cuidar de sua qualidade. Blindar o pânico, que é, por assim dizer, contagioso. Não negar a realidade dura que estamos vivendo. Evitar relações tóxicas. Construir um plano de vida para esse momento e tentar se divertir um pouco. Acho que isso pode ajudar.
 

  1. Quais as demais dificuldades que os pais enfrentam diante da Pandemia que o senhor tem percebido refletir no consultório.


Gestão dos filhos em casas. Temos duas tendências que a pandemia desconstruiu. Uma é a idealização dos filhos e a outra é a sua terceirização. Estar em casa todo tempo com os filhos nos obrigou a lidar com a realidade que nossos pimpolhos são de carne, osso e subjetividade e que viver todo tempo com eles nos ensina o quanto nos exigem e revela perspectivas que o corre-corre do cotidiano ofuscava.

Além disso, ocupados, preocupados e culpados nós pais terceirizamos a gestão da vida dos nossos filhos às escolas, aos profissionais de saúde, às funcionárias domésticas, às tecnologias e agora temos que dar conta de tudo ao mesmo tempo em que limpamos o chão, fazemos uma reunião ou confeccionamos um relatório. São tempos difíceis, mas podem nos ensinar a rever nossa relação com a infância como um tudo e como nossos filhos em particular.
 

  1. Por fim, a pandemia tende a mudar as relações entre as pessoas? Em que sentido?


Já está mudando algumas relações, mas não podemos romantizar a calamidade. Se trata da maior crise sanitária que já vivemos na nossa história recente. Entretanto, por debaixo dessa nevoa de insegurança e caos surgem manifestações de solidariedade, janelas abertas para o vizinho que outrora era uma ameaça, o coletivo sendo priorizado diante do individual, um melhor uso das redes sociais... são exemplos de aprendizados que servem a um laço social menos intolerante, violento, destrutivo, perverso e mais inventivo, mais humano. São pequenos pontos de esperança.

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