Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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25/03/2019 09h53

Água - Dez barragens de rejeito ameaçam o abastecimento de Monlevade

Outras oito ameaçam bairros ribeirinhos como Tietê, Amazonas e Santa Cruz

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Estão redondamente enganados aqueles que acham que João Monlevade estaria fora dos riscos que as barragens de contenção de rejeitos oferecem.

Em torno de dez barragens, incluindo a Sul Superior de Gongo Soco que ameaça se romper, se encontram na vertente do rio Santa Bárbara que abastece João Monlevade e outras oito se encontram na vertente Piracicaba que colocam em risco de inundação as localidades do Beira Rio, Tietê, Amazonas e Santa Cruz.

O jornal Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, vem desde 2016 chamando a atenção para os riscos das barragens para a Bacia do Piracicaba, mas como acontece na maioria das vezes, os alertas caíram no vazio.

O risco de desabastecimento de água em Monlevade é eminente assim como o rompimento da barragem Sul Superior de Gongo Soco.

Há cerca de um mês foi feito questionamentos à prefeitura sobre um plano B caso ocorresse uma contaminação do rio Santa Bárbara, mas somente esse fim de semana, com a situação agravada é que a administração assumiu: “Não temos um plano B”.

Monlevade sem água

No fim de semana a administração monlevadense admitiu que a cidade pode ter o abastecimento de água prejudicado: “Hoje não temos um ‘Plano B’. Só nos restaria suspender o abastecimento de água e aguardar os níveis de poluição diminuírem”, informou a prefeitura.

Entretanto, diante do tamanho da ameaça, essa poluição pode não diminuir em curto espaço de tempo – aí outros questionamentos vêm a tona: Quanto tempo a cidade ficaria sem abastecimento? Quais as medidas poderiam ser tomadas? Abastecimentos em carros pipas? Já foi feito contato com a Vale para que a empresa se posicione?  Enviamos esses questionamentos à comunicação da prefeitura e aguardamos retorno.

Caminho da Lama

Caso aconteça mais essa tragédia, a lama, juntamente com os destroços que ela vai criando ao longo de sua descida, vai para o rio São João que por sua vez, após atravessar Barão de Cocais, segue até Barra Feliz onde esse rio se encontra com o rio Conceição, formando aí o rio Santa Bárbara.

Um recuo da lama poderia atingir o distrito de Brumal, cerca de duas horas após o rompimento.

Passando por Barra Feliz a lama continua descendo, agora pelo rio Santa Bárbara, atingindo parte da cidade homônima, cerca de 3 horas após o rompimento, até atingir a represa de Peti - que deverá segurar parte desse rejeito.

A contaminação continua até atingir a cidade de São Gonçalo do Rio Abaixo, 6 horas após o rompimento, onde, depois, a PCH da cidade poderá reter também um pouco desse material.

Continuando seu caminho de destruição a lama chegaria a cidade de João Monlevade - que retira cerca de 80% de seu abastecimento d´água do Santa Bárbara.

Em seguida, na comunidade rural de Capela Branca o Santa Bárbara se encontra com o Piracicaba, contaminando as suas já poluídas águas, seguindo então para Nova Era.

A sequência então é Antônio Dias, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipatinga.

Em Ipatinga o Piracicaba desagua no Rio Doce - levando mais uma vez rejeitos até esse moribundo rio, que levará mais morte ao mar.

Foto Simone na captção do DAE - Bell Silva.

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