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08/02/2019 07h46

Paralização de Brucutu preocupa prefeitos

Falta de planos de ações de emergência funcionando nas cidades seria um dos motivos

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Geral -A Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig) afirma que acompanha com preocupação a paralisação de parte da produção da mina de Brucutu, da Vale, em São Gonçalo do Rio Abaixo.

As atividades foram suspensas depois que uma liminar concedida pela 22ª Vara Cível de Belo Horizonte, a pedido do Ministério Público, impediu a continuidade do despejo de rejeitos na barragem de Laranjeiras, localizada em Barão de Cocais, e que atende à mina.

“Com relação a suspensão temporária das atividades na mina de Brucutu, haverá sérios danos na economia dos municípios da região, principalmente, São Gonçalo do Rio Abaixo, Barão de Cocais e Itabira, onde há uma dependência muito grande da atividade minerária. É fundamental que medidas preventivas sejam realizadas para garantir que novas situações como a de Brumadinho não aconteçam, porém, com diálogo e participação das cidades nas decisões”, defende a Amig.

A liminar que afeta a produção de Brucutu foi expedida durante o último fim de semana. Além da barragem de Laranjeiras, outras sete estruturas mantidas pela Vale, em Brumadinho, Ouro Preto e Nova Lima, foram impedidas de continuarem recebendo rejeito. No caso da mina instalada em São Gonçalo do Rio Abaixo, a maior mantida pela empresa em Minas Gerais, os cálculos da companhia são de que até 30 milhões de toneladas de minério de ferro deixem de ser produzidas.

Na última segunda-feira, 4, o prefeito são-gonçalense, Antônio Carlos Noronha Bicalho (PDT), afirmou a que o momento na cidade é de apreensão até que esclareçam todas as dúvidas.

Em declarações a outros veículos e agências de notícias, o político ressaltou que a medida judicial afeta de 80% a 90% da produção de Brucutu, já que a Vale informou que manterá ativa apenas a produção de minérios finos, que é feita por processo seco, sem despejo em barragens.

 

Prefeitos de cidades mineradoras que integram a Amig viajaram para Brasília nessa terça-feira, 5, onde participam de reuniões com a diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM). O prefeito de Itabira, Ronaldo Magalhães (PTB), vice-presidente da associação, afirmou que os gestores cobraram “uma postura firme do órgão com a segurança das barragens” e falaram também “sobre os impactos da tragédia de Brumadinho”.

Segundo a Amig, a entidade pretende apresentar ao Governo Federal uma pauta de temas relacionados às melhorias para o setor mineral, como, por exemplo, a finalização da apuração do processo de dívidas das mineradoras iniciado pelo Grupo de Trabalho de 2018; repasse da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem) dos municípios impactados e gravemente afetados pela mineração; e o Programa Permanente de Relações Institucionais para tratar os assuntos relevantes à mineração brasileira, como barragens, compensações socioambientais, fiscalizações e licenciamento.

“O objetivo é transformar a mineração, elevando-a a um patamar de normas e processos internacionais, de forma que aconteça uma mudança na cultura de segurança”, afirma a associação.

Falta dos PAEBM´s

Especulações dão conta que o fato dos Planos de Ação de Emergência para Barragens de Mineração – PAEBM´s não terem sido implantados até o momento nas localidades que vivem abaixo das estruturas de barragens da empresa, somados à informação falsa da empresa que chegou a alegar que esses planos estariam implantados, levou a justiça a pedir a paralização das operações da Vale: “Eles informam uma coisa e na prática é totalmente diferente, muito grave isso, como no caso dos PAEBM´s; na maioria das cidades e ou localidades esses planos não foram concluídos”, comentou uma fonte que pediu sigilo.

Jornal vem denunciando descaso

O jornal Tribuna do Piracicaba – A Voz do Rio, que cobre a Bacia Hidrográfica do Piracicaba vem desde julho de 2017 denunciando a falta de empenho e agilidade na implantação dos planos de ação de emergência.

 

Em pelo menos 4 edições entre 2017 e 2018 o periódico trouxe em suas capas destaques sobre o tema.

Segundo as matérias, a empresa “vinha empurrando com a barriga a implantação do plano”, vital para a segurança das populações que ficam a mercê da própria sorte.

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