Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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20/07/2018 07h10

ENTREVISTA: Moacyr Franco em João Monlevade.

Cantor, compositor, ator, humorista e ecologista

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O CENÁRIOS teve a honra de entrevistar  o grande Moacyr Franco que estará se apresentando em Monlevade no dia 17 de agosto na Casa de Eventos Kissussêgo. Moacyr é um artista magnífico, compositor de diversos clássicos da MPB, cantor, compositor, ator, humorista e ecologista. Mas vamos a entrevista...

CENÁRIOS - Moacyr, como é o seu show hoje em dia. Você canta mais clássicos da sua carreira ou também músicas novas?

MOACYR FRANCO - Eu devo cantar entre 20 e 30 músicas dessas famosas que tem disco de ouro. Não é um show apenas musical. É misturado. Eu gosto de contar piadas. Esse pessoal do Standup vai nos meus shows e ficam bestas, ficam zonzos. Mas que diabo de show é esse? ( risos).

CENÁRIOS - Você leva a sua Banda, Moacyr?

MOACYR FRANCO - Eu levo 5 músicos

CENÁRIOS - Quais foram seus grandes sucessos?

MOACYR FRANCO - Eu comecei 10 anos antes de Jovem Guarda na TV Excelsior. Tudo começou com "Me dá um dinheiro aí...

CENÁRIOS - Me dá um dinheiro aí é sua? Isso eu não encontrei na internet. É um clássico dos carnavais.

MOACYR FRANCO - Sim...é de 1960...campeã do carnaval.  Na olimpíada foi usada no encerramento.

CENÁRIOS - Você tem uma música que você considera a sua melhor.

MOACYR FRANCO -. Pedágio é uma música que considero muito boa. E pessoas que convivem comigo consideram a Canção da Estrada.

CENÁRIOS - E teve aquela música maravilhosa sobre o Garrincha. Um clássico Maravilhoso, um arranjo de chorar de tão bonito.

MOACYR FRANCO - Ah tá...a Balada nº 7...quem fez o arranjo foi o maestro Ciro Pereira. Ele foi maestro da sinfônica... eu trabalhei com os maiores maestros brasileiros.

CENÁRIOS - Moacyr. Vc consegue viver de direitos autorais?

MOACYR FRANCO - Ah...eu parei de me preocupar com isso. Não adianta nada. Olha, eu sou ecologista, meio ambientalista, eu crio abelha, eu crio peixe, planto árvores a 40 anos, recuperador de minas e nascentes, mas nunca mais me preocupei com essas questões oficiais...

CENÁRIOS - Quando jovem, você pensava em fazer o que na vida?

MOACYR - Eu queria ser cantor mesmo. Eu era pintor.

CENÁRIOS - E a veia humorística? Como pintou?

MOACYR FRANCO - Ah foi a convivência com o pessoal de humor. Eu tinha amigos como Rogério Cardoso, Gilberto Garcia. A gente se encontrou na Rádio Clube de Ribeirão Preto, que era uma espécie de Rede globo para promover artistas. Inclusive o Boni veio de lá

CENÁRIOS - O que foi fundamental no seu inicio de carreira. Vc teve dificuldades ou tinha uma vida financeira tranquila que lhe permitia um início não tão sacrificado.

MOACYR FRANCO - Não. O início era muito sacrificado. A carreira começava em programa de calouro. Ninguém começava com agencia de publicidade ou com lançamentos como hoje. Hoje se vc for bem lançado em uma semana já é sucesso. Antigamente se levava 15 anos para um artista ficar conhecido. Eu cantei muito em circo, programa de calouro, cronner de orquestra. Dormi muito em chão de ônibus. Eu não estou lamentando não! Isso ajudou na minha formação. Na pessoa boa ou má que me tornei.

CENÁRIOS - Você tem trabalhos com temas românticos, religiosos e sociais. E temas ambientais?

MOACYR - Eu tenho um trabalho muito sério. Eu tenho uma música chamada Inteligência é loucura.  O ultimo verso é assim: " que seja um homem feliz...quem tem no bicho, um irmão. Que seja a minha riqueza, o que couber nessa mão". A última que fiz foi por causa dos venenos que os nossos políticos aprovaram, passando por cima de tudo. Querem acabar com o resto que temos...a abelha tá acabando...se as abelhas acabarem, em 4 anos a humanidade acaba. Eu publiquei uma frase há pouco tempo. É o seguinte: "o ser humano não merece conviver com os animais inteligentes".

CENÁRIOS -Como é seu processo de composição? Vc usa só o violão, piano?

MOACYR - Eu uso violão. Mas minha música é muito singela. Eu gosto é de contar histórias que tenham um desfecho.

CENÁRIOS - Bom é que você tá com muita vitalidade, né Moacyr?

MOACYR - É mais eu tenho trabalhado muito. Eu sou um artista muito barato então tenho de trabalhar muito mais pra pagar as contas. Mas como o trabalho me dá muita alegria, eu tô sempre lidando com um público muito inteligente, vivido, pessoas que conversam comigo e vão nos meus shows, são pessoas que são avós, pais, irmãos, conhecem o Brasil, a música. É um público bom de se lidar.

MEDIOPIRA - O que vc acha do Funk?

MOACYR - Eu acho que em todos os gêneros tem coisas boas e ruins. Os rappers por exemplo, tem caras muito bons. Estão misturando com outros estilos.

CENÁRIOS - E a internet. Vc acha que ajuda o seu trabalho?

MOACYR - Eu acho que internet prejudica é a parte humana. O ser humano não pode abrir mão da infância, adolescência, de brincar e saber o que é a terra, a vida. Não somos eletrônicos. Quem não subir numa árvore, bebear agua de um pote eu acho que tem mais dificuldades de ser feliz. Isso é legal pra comunicação, mas não pode ser seu professor. ´

CENÁRIOS - Pra finalizar, uma mensagem pro pessoal de João Monlevade

MOACYR - Podem ir sossegados que não vai ter novidade nenhuma...(risos)

CENÁRIOS - Muito obrigado pela generosidade da entrevista.

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