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28/04/2018 17h10

Peti: Patrimônio contaminado e ameaçado sob o véu da desinformação

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Ela fornece energia, lazer, equilíbrio climático e em troca recebe esgoto. Se já não bastasse os mais de 12 milhões de litros de esgoto despejado diariamente em suas águas, vindos de Santa Bárbara e Barão de Cocais, a represa de Peti enfrenta ainda outras ameaças.

De um lado a Samarco querendo retirar 50 milhões de litros de água limpa do rio Conceição por dia, do outro uma das barragens gigantes de contenção de rejeito da Mina de Brucutu. Em meio a esse “fogo cruzado”, esta a Reserva Ambiental e a represa de Peti, localizada em uma região muito rica em termos turísticos, fazendo parte da Estrada Real, próxima às cidades históricas de Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas, Mariana e Ouro Preto, além do Parque Natural do Caraça.

Com uma área de 1.280 hectares, sendo 605 hectares de área terrestre e 675 hectares de espelho d´água, a represa de Peti, que se encontra na divisa dos municípios de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, encanta quem a conhece.

Poluidoras

Os municípios de Barão de Cocais e Santa Bárbara despejam 6,3 e 6,1 milhões de litros de esgoto por dia, respectivamente, nas águas do rio São João e no rio Santa Bárbara que por sua vez desagua na represa de Peti, contaminando a mesma com – sabe Deus que poluentes – todo tipo de efluentes (residencial, comercial, industrial).

Nenhum desses municípios, apesar de enviado questionamentos as suas assessorias, até o momento não apresentaram planos e ou projetos para mudar essa situação.

Ações

Algumas ações, isoladas e pontuais, acontecem apenas em datas comemorativas, como é o caso das “barqueatas”, onde são recolhidos lixo ao longo das margens da represa. O evento que acontece geralmente no Dia Mundial do Meio Ambiente, em poucas versões realizadas, contou com a participação dos municípios de Barão de Cocais, Catas Altas, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Mobilização efetiva

Por falta de mobilização e envolvimento político dos moradores e usuários da represa e por falta de comprometimento dos representantes constituídos, o que era para ser referência em estrutura ambiental e atração turística, se encontra sob o fio da “navalha”, lançada sob a própria sorte por conta de um destino incerto, haja vista que, por decisão da Cemig, as atividades em torno da educação ambiental dentro da reserva encerraram no dia 30 de Junho de 2013 e mortandade de peixes vem acontecendo, exporadicamente, sem que nenhuma resposta seja dada à sociedade.

Enquanto nenhuma ação seja tomada esse paraíso ecológico, permanece poluído e ameaçado.

Saiba mais:

A represa de Peti teve o início de sua construção no final do século XIX e início do século XX (1903), construída pelos ingleses com o objetivo de alimentar a mineração de São Bento. A usina forneceu energia para Santa Bárbara que foi iluminada em 1912 e em seguida para São Gonçalo em 1928, forneceu também durante esse tempo energia inclusive para Belo Horizonte.

Com o crescente desenvolvimento da região ampliou-se o parque energético de Peti e a mesma foi adquirida em 1946 pela Companhia Força e Luz ampliando sua produção energética para 9.6 MW. Em 1971 foi adquirida pela Cemig e em 1983 houve a criação da Unidade de pesquisa e desenvolvimento ambiental do Peti. Em janeiro de 2004 foi reconhecida como RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural).

A Usina de Peti abastece as cidades de São Gonçalo do Rio Abaixo, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Catas Altas e também gera energia para o sistema integrado da Cemig.  

O nome PETI vem do tupi-guarani e significa tabaco.

Fonte: Cemig IEF Ibama

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