Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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10/11/2017 10h40

Cenários: Jean e Drummond

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Algumas cidades valorizam seus notáveis.

Itabira faz isso muito bem com Carlos Drummond de Andrade

Tudo em Itabira tem Drummond no meio.

Alguns intelectuais locais até criticam a drummomania, mas não tem jeito!

Tem estátuas pra todo lado, frases, outdoors, placas de inauguração, bonecos, esculturas, tudo tem Drummond.

Recentemente o Brasil inteiro comemorou 115 anos do poeta e como não poderia deixar de ser. Itabira festejou Drummond a semana inteira, com muita poesia e arte. E comemoram todos os anos, todos os dias, a todo minuto.

Itabira tem orgulho do seu filho mais ilustre e não se cansa de homenageá-lo. E isso é lindo, pois numa terra onde surgiu a Vale do Rio Doce, o principal produto de exportação é a poesia, a palavra.

E João Monlevade?

Parece que a cidade não dá a mesma importância ao legado do pioneiro fundador, o francês Jean Monlevade.

Ele não é nativo como  Drummond, mas foi  tão importante que até  emprestou nome à cidade. Como disse o jornalista e escritor Erivelton Braz, "aqui Jean virou João".

Num ano em que completaram-se 200 anos da sua chegada à região, muitas coisas foram projetadas, mas por enquanto foram tímidas as ações.

Houve o lançamento de um selo comemorativo e reuniões com intelectuais e autoridades públicas para criação de uma agenda. Ficou definido o biênio 2017/2018 para diversas atividades. Mas para o ano do bicentenário foram poucas as ações. Tá certo que 2017 ainda não acabou, mas fica difícil rivalizar com Papai Noel e reveillon em atenção.  

O jornalista Erivelton Braz, apaixonado pela saga do desbravador é fez algo pra marcar os 200 anos. Escreveu um belo poema sobre o Jean, que tive a honra de musicar. A música acabou nos inspirando um vídeo-clip comemorativo, que teve mais de 20 mil visualizações no facebook. O Erivelton aproveitou pra lançar NAS TERRAS PESADAS DE METAIS E ESPANTOS, um ebook com história romanceada do grande pioneiro, disponibilizado gratuitamente na internet. Para a execução do projeto, tivemos as parcerias da ArcelorMittal, SICOOB CREDIMEPI, HIPER COMERCIAL MONLEVADE, CDL, PROHETEL, REAL CLUBE E RÁDIO ALTERNATIVA.

O poeta Geraldo Magela Ferreira, o Magelinha, também lançou belíssimo poema em homenagem ao bicentenário.

E foi só.

O francês foi um gigante, sonhador e realizador poderoso. 

Moveu céus e terras, trouxe uma indústria inteira  transportada através dos rios e montanhas, em balsas e lombos de burro, da costa brasileira até onde hoje está localizada a Fazenda Solar.

Criou uma indústria monumental num lugar quase selvagem e ao derredor nasceu uma das cidades mais importantes de Minas.

Mas...engraçado! Parece que o João não gosta do Jean.

Fiquei sabendo de umas maledicências históricas. A primeira de que Jean foi um capitalista cujo único objetivo era enriquecer, que não teve nenhuma atitude altruísta ou amor à terra e sua gente. Outra história é de que foi um mal patrão.Tem gente que não gosta dos patrões. Acham que são todos exploradores desalmados. Ah...e também tem aqueles que dizem que foi  feitor de escravos e se aproveitava das mulheres. E a mais surreal de todas: de que ele era um forasteiro como tantos que só vem pra explorar.

E o empreendedor nato? Onde fica? E o gestor com visão excepcional e grande capacidade de realização? Parece vir de muito tempo essa tendência em diminuir os pares, esses espíritos de língua ferina prontos pra difamar quem tenta fazer alguma coisa ao invés de enlevar, de glorificar seus notáveis.

Se foi vilão ou herói, depende de como a história é contada.

Stalin matou milhões, mas é herói pra muita gente, assim como Fidel, Hitler, Lampião, Kennedy e outras personas.

Jean não foi poeta nem ergueu castelos de palavras.

Também não transformou chumbo em ouro, mas minério de ferro em aço, uma região selvagem em um fabuloso complexo siderúrgico...e a minha vida, a sua e a de todos no Médio Piracicaba.

(Além do ebook do Erivelton, sugiro as leituras dos livros de Jairo Martins e de Afonso Jr.  Os livros do Jairo são fantásticos e do Erivelton também. O Livro do Afonso ainda não li, mas quero fazê-lo assim que possível. São visões diferentes sobre o mesmo tema que ajudam a compreender o mito. Jacqueline Silvério deve ter na República Literária).

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