Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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21/09/2017 22h58

Mediopira - Qualquer semelhança com a coincidência é pura realidade...

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MEDIOPIRA dessa semana foi conversar com o produtor JOÃO BARRETOS, criador de alguns dos maiores eventos agropecuários do país. João é autodidata, começou a fazer pequenos rodeios em Barretos, sua cidade natal, até tornar-se um dos empresários mais bem sucedidos no showbusiness nacional. De uns tempos pra cá diversificou e também tornou-se próspero produtor de Nelore e plantador de soja. Recentemente também criou um selo musical dedicado ao sertanejo, funk e pagode. Mas vamos à entrevista...

Você se considera um produtor cultural?

Não. Eu sou produtor de entretenimento. Os chamados produtores culturais se empenham em produzir e direcionar conteúdos por eles considerados  relevantes para o público. Eu já faço diferente. Ofereço ao povo o que o povo quer.

Mas não acha perigoso oferecer ao povo um conteúdo tão ruim?

Perigoso é você oferecer o que o povo não quer e ele não comparecer. Veja só.Desde que o mundo é mundo o povo tem suas demanda naturais. A música sempre serviu pra dar suporte as atividades humanas. Então, se você faz eventos que oferecem promessas de sexo, de namoro, de bebida e comida farta e músicas pro povo dançar e cantar junto certamente ganhará dinheiro e gerará emprego pra muita gente.

Mas por que o povo está tão avesso aos eventos chamados culturais?

O povo nunca teve paciência com essa conversa de arte e cultura. Acha chato e vai só se for modinha. Já não tem paciência com escola, com conteúdos mais elaborados. Vc acha que alguém vai sair de casa pra ver pessoas recitando poesias? Cantando letras cheias de metáforas e poesia? Mas não vai mesmo.

Mas então, qual você considera ser o caminho para a cultura?

As leis de incentivo foram invenções interessantes. Durante um tempo até sustentaram a produção alternativa, a chamada arte genuína. Mas os produtores de entretenimento também enxergaram o potencial econômico e com pouco tempo dominaram as grandes verbas. Por sua vez as empresas também preferem se associar a projetos de artistas conhecidos e populares. A arte e a cultura ficaram com as migalhas. As secretarias municipais de cultura são uma piada. Tem esse nome, mas os prefeitos as utiliza pra fazer os eventos do povão que dão voto. São os tipos de eventos que eu faço. O restinho da verba que sobrar eles usam para uma coisinha aqui e outra ali.

Mas não considera a arte importante para a humanidade?

Já foi mais importante no passado. Havia os grandes pintores, escultores geniais, grandes músicos. Mas hoje em dia, com os computadores, artes perfeitas são feitas instantaneamente e tem templates pra tudo. Orquestras inteiras podem ser simuladas por um teclado eletrônico. De modo que a arte tá perdendo gradativamente a sua utilidade.

Por que as massas se afastaram tanto da arte?

As massas na verdade nunca gostaram. Lembra-se de umas camisesas do Casseta e Planeta? "Vá ao teatro mas não me chame?". É assim que o povo pensa. Não tem a mínima paciência. Gosta é de novela, de seriados americanos, de futebol e de sacanagem. É isso que eu ofereço.

Mas o nível geral não está caindo? O povo não está ficando muito burro?

Eu não acho não. Quando o sujeito entra na faculdade vai ter de estudar filosofia, química, física e essas chatices todas. Você ainda vai querer que o sujeito ainda seja intelectualoide? Que discuta Freud e Lacan durante a diversão? Ele quer saber é de encher a cara e encontrar alguém pra dar uns amassos.

A internet prejudica os seus negócios ou é aliada?

Num primeiro momento achei que fosse me atrapalhar muito. Eu invistia em duplas sertanejas e faturava com vendas de CDs, administrava os direitos autorais e até os shows. A internet acabou com a venda de CDs. Por isso eu peguei o dinheiro e comecei a investir em fazendas e e Nelore. Agora, cds pararam de vender, mas os shows tem vendido bem. Principalmente os sertanejos. Eu criei um selo musical pra segurar alguns talentos. Estou investindo agora no funk que tá bombando pra todo lado.

Mas que conselho você daria para os produtores culturais?

Olha, eu tenho até algumas amigas românticas, que acreditam que vão mudar o mundo através da arte. Coitadas. São maltrapilhas, não tem dinheiro nem pra ir a Guarapari. O conselho que eu daria é...se querem escrever livros, escrevam livros pornôs, por que dão dinheiro. Se querem fazer eventos de música, não coloquem aqueles artistas alternativos com músicas autorais chatas. Saraus de poesia e exposições de quadros, nem pensar. Isso não dá dinheiro.

Então você acha que a arte e a cultura estão morrendo?

Morrendo eu não sei.  Mas não conseguem empolgar nem ser compreendidas num mundo tão polifônico. As mensagens não decodificadas são ignoradas e jogadas no lixo da história. Olha,  se você colocar dois eventos, um do lado do outro, sendo um pago de música sertaneja com cerveja e churrasco. E o outro gratuito com música autoral alternativa, com sarau de poesias e performances teatrais, pode ter certeza que o primeiro vai lotar e o segundo fracassar.

Mas o que a arte e cultura deveriam fazer para se popularizar?

Interagir mais com as pessoas comuns, ir onde o povo está. A turma da cultura além de tudo é cheia de teimosias. Ao invés de aproveitar os locais já frequentados pelo público, cismam de criar espaços alternativos e fazer eventos onde as pessoas não frequentam usualmente. Tentem também fazer os eventos mais interativos com músicas para o povo dançar, chacoalhar. Se misturar cultura com diversão, pode colar. Se insistir na chatura, não vai...

Que mensagem você deixaria para quem pretende trabalhar com promoção de eventos?

Que escolha rapidamente se quer ganhar dinheiro ou reputação cultural. Se quer ganhar dinheiro pra pagar as contas e ter um bom nível de vida, preocupe-se em dar ao povo o que o povo quer. Faça eventos populares, sertanejos, essas coisas. Eventos de gastronomia também são bons pois o povo adora comer. Se quer teimar na devoção quase religiosa à Deusa arte, á tal relevância de conteúdos,  tá bom também. É só levar uma vida desapegada, pois dinheiro não vai entrar...

O entrevistado é a patrocinado pela Cerveja Safada, versão funk da Devassa.

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