Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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07/09/2017 14h22

Cenários - Deixem o Funk em paz

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ENQUANTO ISSO NAQUELA ACADEMIA

- O que você está ouvindo?

- Ahn? Ah... estou ouvindo funk.

- Nossa. Eu deteeesto funk.

- É mesmo? Eu não tenho nada contra!

- Ih... ninguém merece.  Isso pra mim não é musica

- Uai... tem compasso, tem melodia, harmonia. E é bom de dançar.

- Ah...pelo amor de Deus. Vai me desculpar, mas funk não é música.

- Baita preconceito seu.

- O que é isso. Funk não tem raíz... não tem história.

- Aí é que vc se engana. Tem história, tem vida, tem arte ali.

- Arte? Com essas letras indecentes, cheias de erros de português?

- Besteira. Os Manonas também eram indecentes. Falavam de suruba e cabelo do saco e todo mundo achava engraçado.

- Ah... mas não dá pra comparar. Os Mamonas eram...

- Eram brancos né? Eram de classe média. Preconceito puro!

- Espere aí. Não é nada disso. Não tenho nada contra os negros. Não tenho preconceito de cor.

- Olha só. Quando apareceu o samba, a elite da época queria proibir.

Com o Rock aconteceu a mesma coisa. Fizeram passeata contra a guitarra elétrica. Agora é a vez do funk.

- Ah...mas o funk eu sou a favor de proibir...não aguento esse pessoal que passa com som alto de madrugada tocando funk.

- E sertanejo pode? Por que eu vi uma turma passando tocando Eduardo

Costa e eu odeio Eduardo Costa. Vamos proibir o sertanejo também por causa disso?

- Mas o funk é música do capeta. O Pastor falou lá na igreja. Não é coisa de Deus.

- Que bobagem.  O Funk é apenas um ritmo. E é meio de vida pra muita gente mesmo. Abriu oportunidade pra turma da periferia se expressar, juntamente com o Rap e o Hip hop.  Custo a acreditar que alguém pode querer proibir uma cultura.

- Mas funk não é música de gente normal. É só de traficante e de favelado.

- Mais um engano seu. Não tem uma festa hoje em que a galera não peça funks no repertório. E a turma solta as frangas pra valer. As morenas, as loirinhas, todo mundo descendo até o chão.

- Tá vendo? Só sexo, sensualidade, banalização do corpo feminino.

- E era diferente com o Axé? As meninas e até os homens desciam na boquinha da garrafa sem medo de qualquer juízo de valor.

- Engraçado. Achei que você fosse rockeiro.

- Continuo  gostando de rock. Mas quer saber? Acho que o funk ocupou a cabeça do jovem e o rock virou música de velho.  O funk tem apresentado mais ousadia e inovações do que o rock, que continua vivendo dos ídolos do passado. O funk oferece a promessa do sexo livre, da dança, da liberdade que os jovens buscam. O rock ficou gagá.

- Por essa eu não esperava.

- O que?

- Eu gosto de rock. Você me chamou de velha.

- De jeito nenhum. Você é novinha. Só precisa relaxar um pouco...

-E o que eu tenho de fazer?

- É simples... só aprender a quicar, a sentar e descer até o chão.

- Que indecência, meu Deus...

- E vai dizer que não gosta?

- Gostar eu gosto... quer dizer...eu gosto mas tenho de resistir né?

Senão o pastor me xinga.

- Ah... então mande esse pastor pro inferno.

- Eu não. Deus castiga!

- O que castiga é o tempo. Se não aproveitar enquanto tá tudo em cima, quando cair fica mais difícil.

- Tá bom. Você me convenceu. Preconceito deletado...

- Nossa, novinha! Você me serve...

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