Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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12/01/2015 10h43

Tragédia: Mãe leva filhas para motel, assassina crianças e se mata

Menina de 4 anos e irmã de apenas 9 meses foram encontradas na cama da suíte; mulher estava desaparecida com as garotas desde dezembro, quando descobriu que tinha perdido a guarda de uma delas para o ex-marido

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Um crime na noite desse domingo, 11, chocou moradores de Itabira e João Monlevade. Uma mulher de 34 anos matou as duas filhas e, em seguida, se matou. A tragédia aconteceu dentro de um motel da cidade de Itabira.

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, os corpos de Ana Flávia Marques Teixeira e das crianças, Maria Fernanda Marques Teixeira Batista, de 4 anos, e Anna Sofia Marques Teixeira, de apenas 9 meses, foram encontrados em uma das suítes do estabelecimento, localizado na rua Humberto Campos, no bairro Ribeira de Cima.

A corporação foi acionada por uma das funcionárias do motel. Segundo ela, Ana Flávia chegou ao local por volta das 03h51 desse domingo. A mulher pediu uma caipivodka, um espeto de frango, um suco e um banho de espuma. Após os pedidos, ela solicitou para ser chamada às 17h.

No horário marcado, uma das funcionárias ligou para o quarto, mas não foi atendida. Ela chegou a bater na porta, mas também não teve nenhuma resposta. Ao abaixar no chão, a mulher percebeu por uma fresta um pé aparentemente imóvel e roxo.

Diante da situação, militares foram acionados, tentaram contato e, como não conseguiram, pediram a chave reserva da suíte. Dentro do cômodo, as meninas Maria Fernanda e Anna Sofia foram encontradas sem vida em cima da cama. Uma delas estava em um bebê conforto.

Já Ana Flávia foi encontrada enforcada e pendurada em um suporte para toalhas. A perícia esteve no local e constatou que as crianças não apresentavam nenhuma lesão aparente. No cesto de lixo foi localizada uma seringa que estava sem agulha.

 

Os corpos foram removidos e encaminhados ao necrotério do Cemitério da Paz, na mesma cidade

Ana Flávia trabalhava como motorista da Prefeitura de João Monlevade. De acordo com a assessoria de imprensa da administração do município, a mulher, que prestava serviços desde 2006, está de férias desde o dia 15 de dezembro de 2014.

A ocorrência foi encerrada na Delegacia de Plantão de Itabira.

Mulher deixou bilhete e telefone do pai

Ainda conforme o boletim de ocorrência, na mesa do quarto em que os corpos foram encontrados, a polícia localizou um bilhete que, provavelmente, foi escrito por Ana Flávia.

Nele, a mulher escreveu: “Meu ex-marido acabou com a minha vida e com a vida das minhas filhas”. No papel também constava o número de telefone do pai dela e outros dois contatos.

Ao chegar em Itabira, o pai da dona de casa contou aos policias que, em data anterior, por meio de uma amiga da filha, recebeu um áudio pelo WhatsApp onde a filha agradecia algumas pessoas, se desculpava e se despedia.

Ana Flávia tentou negocia preços do Motel

Um dia antes de matar as filhas em um motel de Itabira, Ana Flávia tentou negociar uma estadia em um hotel no centro da cidade. A informação foi confirmada por um funcionário do estabelecimento na tarde desta segunda-feira (12).

Segundo o jovem, que pediu anonimato, Ana Flávia Marques Teixeira chegou ao hotel ainda na tarde de sábado (10). “Ela contou que estava com as duas filhas, mas não vi as meninas, que ficaram no carro. Passei a nossa lista de preços e ela tentou negociar”, contou o funcionário.

Mãe e filhas estavam desaparecidas

Durante o registro da ocorrência, policiais descobriram que mãe e filhas, que também moravam em João Monlevade, estavam desaparecidas desde dezembro de 2014.

Ana Flávia fugiu com as meninas depois que descobriu, através de intimações, que havia perdido a guarda de uma das crianças para o ex-marido.

Segundo o delegado que estava de plantão e foi ao motel, Paulo Henrique Moreira Campos, a principal linha de investigação é que Ana Flávia tenha matado as filhas e cometido suicídio.

“A seringa encontrada no lixo foi recolhida. Apenas o laudo de necrópsia poderá apontar se as meninas foram envenenadas pela mãe”, explicou o policial.

Ainda conforme Campos, já haviam ocorrências policiais registradas contra a mulher por ameaça, envolvendo o ex-marido e a ex-sogra, e desacato.

“Também foi registrado um boletim por maus-tratos, mas ainda não sabemos se foi contra as duas filhas. Um inquérito foi instaurado nesta segunda-feira (12)", disse o delegado.

Em áudio, Ana Flávia fala que foi ameaçada

Após matar as filhas e antes de acabar com a própria vida, a Ana Flávia Marques Teixeira gravou um áudio onde fala dos motivos que fizeram com que ela tomasse essa atitude. “Gente, não tenha dúvida de que eu amo minhas filhas. Meu ex-marido acabou com a minha vida. A família dele acabou com a minha vida", explicou. Além disso, ela afirmou que estava sob ameaças. "Eu recebia ameaças o tempo inteiro, que eles iriam colocar as minhas filhas contra mim. Ele (ex-marido) não me ajudou em nada na gravidez, negou a paternidade até o último momento. O juiz é amigo da família da minha mãe, e minha mãe me odeia, meus irmãos me odeiam, minha família me odeia, o juiz... eu tenho certeza que o juiz ajudou ele a mando de alguém, principalmente, minha tia *****, que é advogada, tem muita influência com esse juiz, eu tenho certeza que tem ajuda dela nessa história"

 

Ana Flávia falou ainda que tentou registrar a filha mais nova para que ela pudesse ter um plano de  saúde e que a Justiça não havia dado isso à menina. "Aos últimos 15 dias de dezembro, o juiz deu para **** (pai), além de ter dado a guarda para ***** (pai)  de uma filha que ele negou o tempo inteiro, o juiz providenciou imediatamente o registro da menina, o plano de saúde e passou a guarda para ele. O que eu não consegui em um ano, o ***** (pai) conseguiu em 15 dias, tirar a única motivação que eu tinha para  viver que são minhas filhas e ainda entra com o pedido de guarda delas, só pra me ver sofrer, só para ter o prazer de me ver sofrer", contou.

No fim do áudio, ela desabafa sobre a sua delicada relação familiar. "A minha família me odeia, as pessoas me odeiam, eu não sou nada, sempre me disseram que eu sou um lixo, que eu não presto. Me perdoem todo mundo. Infelizmente hoje acabou, acabou tudo".

Afirmando ter sido injustiçada, Ana Flávia disse que aguentou enquanto pode. "Só tenho pra falar para vocês que não existe justiça na terra. Não existe justiça, fui acusada de um monte de coisas que eu não fiz. As pessoas, as assistentes sociais do fórum, me acusaram de coisas que eu não fiz, elas foram imparciais o tempo todo para favorecer ***** (pai) e a família dele. Eu odeio a minha mãe com todas as forças. Eu tô indo, mas eu quero que vocês saibam, eu odeio a minha mãe, eu odeio a minha irmã, odeio a minha família, que me largou nos momentos em que eu mais precisei”.

Pai de meninas mortas fala sobre caso

O pai das crianças assassinadas contou que há um ano e meio tentava na Justiça o direito de ver a filha mais velha. A mais nova, ele não chegou a conhecer. Segundo ele, a ex-mulher tinha um comportamento agressivo quando era contrariada.

Há quanto tempo você estava separado da Ana Flávia?

Depois de idas e vindas durante quase cinco anos, nos separamos há um ano e meio. Depois que saí de casa, não consegui mais manter contato. Por isso, entrei na Justiça e fiz tudo certo.

Nesse tempo de separação, a Justiça não deu nenhum parecer favorável para você?

Não. Às vezes, algumas pessoas pensam que é só briguinha de casal. Porém, não percebem que os filhos sofrem. Sempre quis participar ativamente da vida das meninas, mas a mãe delas não me deu esse direito e a Justiça não ajudou.

A sua ex-mulher tinha o comportamento agressivo?

A Ana Flávia não gostava de ser contrariada. Todo mundo sofreu com essa decisão dela não deixar eu ver minhas filhas. A família dela não concordava com isso, mas ela não escutava ninguém. Minha família fez alguns boletins contra ela. Inclusive, minha mãe conseguiu uma medida protetiva contra ela.

Você tentou se aproximar das crianças?

Mesmo estando separados há mais de um ano, nós nos envolvemos e, dessa relação, nasceu a Anna Sofia, que estava com 9 meses. Porém, não cheguei a conhecê-la. Já a Maria Fernanda, quando era possível, ia até a escola que ela estudava. Lá, eles me deixavam ter um contato rápido com a menina. Não tive oportunidade de conviver com as minhas filhas. Agora, elas estão mortas. Acabou.

Com Informações do Tempo

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