Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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28/10/2014 08h57

Os Sinos - Ecos da elei??o

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<p> &nbsp; A imprensa brasileira escavou o po&ccedil;o da dignidade no &uacute;ltimo fim de semana, em sua derradeira e desesperada tentativa de reverter a dire&ccedil;&atilde;o dos votos para a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. Como na tradi&ccedil;&atilde;o recente, coube &agrave; revista Veja dar partida ao factoide que deveria interromper a tend&ecirc;ncia dos indecisos em favor da candidatura do Partido dos Trabalhadores. N&atilde;o foi suficiente. Ainda que por margem estreita, Dilma Rousseff se reelegeu.</p> <p> Na segunda-feira (27/10), em processo de digest&atilde;o do resultado indesejado, os principais jornais de circula&ccedil;&atilde;o nacional assumem o discurso da concilia&ccedil;&atilde;o proposto pela candidata vitoriosa e por seu oponente. A mais disputada elei&ccedil;&atilde;o presidencial do presente s&eacute;culo se encerra sob o signo da reforma pol&iacute;tica, tema que dominou a manifesta&ccedil;&atilde;o de Dilma Rousseff e que ganha algumas manchetes. Mas a proposta vem acompanhada de uma d&uacute;vida razo&aacute;vel: o Congresso Nacional abriria m&atilde;o de decidir as novas regras em favor de um plebiscito, como prop&otilde;e a presidente?</p> <p> A profus&atilde;o de an&aacute;lises que a imprensa oferece desde o come&ccedil;o da noite de domingo (26) d&aacute; ao leitor a sensa&ccedil;&atilde;o de que havia uma enorme riqueza de reflex&otilde;es escondida por baixo do notici&aacute;rio e das opini&otilde;es publicadas ao longo da campanha eleitoral.</p> <p> O respeitoso perfil da presidente da Rep&uacute;blica (ver aqui), apresentado na edi&ccedil;&atilde;o do Globo de segunda-feira, por exemplo, teria sido mais &uacute;til aos eleitores antes da vota&ccedil;&atilde;o. A reportagem, intitulada &ldquo;Dilma Rousseff: a extraordin&aacute;ria hist&oacute;ria da clandestinidade &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o &agrave; Presid&ecirc;ncia&rdquo;, teria estabelecido par&acirc;metros mais claros para a compara&ccedil;&atilde;o entre as duas candidaturas.</p> <p> Essa e outras surpresas da segunda-feira, como as aprecia&ccedil;&otilde;es mais equilibradas sobre a situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do pa&iacute;s, mostram como a m&iacute;dia desenhava uma vis&atilde;o catastrofista durante a campanha e agora oferece um cen&aacute;rio diferente, diante do fato consumado da vit&oacute;ria petista.</p> <p> O rescaldo desse jornalismo oportunista e manipulador &eacute; a safra de &oacute;dio e preconceito que a sociedade colhe nas redes sociais, onde se manifestam os baixos instintos das classes m&eacute;dias tradicionais contra os que ascendem socialmente com a redu&ccedil;&atilde;o da pobreza, o preconceito do Sul contra o Norte e o Nordeste.</p> <p> <strong>Sess&atilde;o de descarrego</strong></p> <p> A imprensa que se apresentou no fim de semana, dando curso ao factoide fabricado pela revista Veja e estendendo a repercuss&atilde;o de boatos sobre o suposto envenenamento do doleiro que alimenta o esc&acirc;ndalo da Petrobras, &eacute; muito diferente daquela que tenta interpretar sua pr&oacute;pria derrota nas urnas. Ou algu&eacute;m ainda duvida de que o resultado da vota&ccedil;&atilde;o contraria os desejos da m&iacute;dia hegem&ocirc;nica?</p> <p> Ao alimentar especula&ccedil;&otilde;es, na fase final da disputa, a m&iacute;dia ofereceu meios de racionaliza&ccedil;&atilde;o para os insensatos que acreditam em qualquer coisa que venha a confirmar suas alucina&ccedil;&otilde;es.</p> <p> N&atilde;o s&atilde;o poucos os cidad&atilde;os de alta renda e alta escolaridade que creem piamente que o avi&atilde;o em que morreu o ex-governador Eduardo Campos no dia 13 de agosto foi sabotado por petistas, que aceitam como fato qualquer declara&ccedil;&atilde;o de um criminoso reincidente premido pela imin&ecirc;ncia de uma nova condena&ccedil;&atilde;o, ou que acreditam que ele pode ter sido envenenado por ordem do governo federal, ou que as urnas eletr&ocirc;nicas s&atilde;o controladas por agentes comunistas por meio de telefones celulares.</p> <p> A op&ccedil;&atilde;o da imprensa por estimular o radicalismo, ao mesmo tempo em que seus editoriais condenavam hipocritamente as trocas de farpas entre os candidatos, &eacute; o fermento da insensatez que define muitos votos, que afeta o discernimento em ambos os lados do espectro ideol&oacute;gico em que se divide o pa&iacute;s e estimula atitudes radicais como a dos militantes que picharam a sede da Editora Abril.</p> <p> A origem desse estado de esp&iacute;rito avesso &agrave; conviv&ecirc;ncia democr&aacute;tica &eacute; a linguagem virulenta dos pitbulls que foram alistados nas reda&ccedil;&otilde;es para substituir a narrativa jornal&iacute;stica pelo discurso da intoler&acirc;ncia.</p> <p> Os jornais amanhecem na segunda-feira (27) plenos de reflex&otilde;es ponderadas, como se tivessem passado por uma dessas sess&otilde;es de &ldquo;descarrego&rdquo; exibidos em programas religiosos na televis&atilde;o. Como aquele soci&oacute;logo que virou presidente, &eacute; como se as reda&ccedil;&otilde;es estivessem pedindo: &ldquo;Esque&ccedil;am o que n&oacute;s escrevemos&rdquo;. Mas a natureza da imprensa brasileira &eacute; aquela que dominou as 48 horas anteriores &agrave; abertura das urnas: &eacute; o v&iacute;cio da manipula&ccedil;&atilde;o.</p> <p style="text-align: right;"> <em>Por Luciano Martins Costa em 27/10/2014 na edi&ccedil;&atilde;o 821</em></p>

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