Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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07/07/2014 20h50

Lusco Fusco - Espírito da Vitória

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Caso não fosse futebol, cravaria que o Brasil está lascado. No entanto, tratamos aqui de Copa do Mundo. Felizmente, o esporte bretão gosta de drama. Prefere roteiros intricados a clichês de fácil digestão. Adora os rodopios do destino que surpreendem até mesmo o mais incrédulo dos homens. O rolar da bola é ficção pura.
Venceremos amigos. Imporemos aos simpáticos alemães uma derrota de respeito, sem Neymar e sem Thiago Silva. O Mineirão enxergará novamente um milagre, tão fantástico quanto a rasteira que Deus aplicou em Ferreyra, atacante do Olímpia que chiou para a eternidade, pelo menos na memória coletiva atleticana.
A trama está completa. O 10 se foi e não desfrutaremos da segurança passada pelo melhor zagueiro do mundo. Porém, algo me diz que a disciplina da Alemanha entrará em parafusos, que os nervos gelados dos teutos derreterão, que os passes milimétricos do melhor meio de campo do mundo sairão 15 centímetros além da conta. Neuer, o goleiro que cerca até água na peneira, não conseguirá evitar a testada inapelável de Fred, atacante que desabrochará às margens da Lagoa da Pampulha, local que conhece tão bem.
E por que afirmo com tanta convicção a glória amarela? No último domingo, eu, que não acredito em nada, nem em choro de viúva, fui a um centro espírita e de lá saí abençoado pelo Pai Seta Branca e pela Mãe Yara. Não pedi nada que não estivesse ao alcance dos homens, quanto mais das entidades mágicas. Naquele local onde as paredes são formadas por coloridos tecidos, onde símbolos de fé permanecem suspensos num céu imaginário e brilhante, onde a leveza pode ser sentida em cada poro, onde ninguém parece querer o mal para o semelhante, tive a certeza de que o Brasil triunfará.
Poesia meus caros, tudo se resume a isso. Fui orientado por um espírito a nunca entristecer, o melhor conselho que recebi em anos. Ele pediu que eu cuidasse mais da saúde da alma, algo que sequer sabia que possuía. Ressaltou que eu tinha uma missão pela frente, uma bela jornada, mas que deveria tomar cuidado. São as famosas pedras no caminho. E finalizou que meu bom dia, minha vibração e meu sorriso matinal eram mais poderosos do que pensava. Com a voz característica das caboclas, disse-me Vovó Jurema: "Ajude aqueles que estão perdidos na escuridão". É muita responsabilidade para um cego espiritual.
No entanto, quando sentei-me para escrever essa coluna, percebi a sutileza do recado. Por que perderia meu tempo discorrendo sobre o óbvio, sobre a falta do melhor jogador, a fragilidade da defesa ou as chances reduzidas de triunfo? Resolvi executar a missão. Decidi mostrar-lhes que tudo é possível. Optei por entregar-lhes minha esperança.
E é assim, de corpo leve e bateria recarregada depois de vários trabalhos, inclusive a linha de passes, termo que remete diretamente ao futebol, que adquiri a confiança sólida de que o Brasil fará história. O gramado do Mineirão presenciará a bravura original, a mesma coragem destilada pelos bárbaros que implodiram o Império Romano, dentre eles, os germânicos.
Com relação à minha continuidade no certame espírita, creio ser pouco provável. Apesar de ter sido convidado a desenvolver a capacidade mediúnica, declinei. Já tenho muito trabalho na lida com os vivos, não posso assumir tarefas que ultrapassem o chão do planeta Terra. De qualquer forma, foi uma experiência singular, tão marcante quanto a que vivi no terreiro de Dona Ivone e no ritual xamânico de Cuzco, no Peru. Percebam que a descrença não é sinônimo de porta fechada para o conhecimento.
Na quarta-feira teremos a certeza de quão longe minha alma enxerga. Caso carregue um espírito míope, paciência. Caso triunfemos, daremos graças a Deus, ao Pai Seta Branca e a Mãe Yara. Oxalá! 
Ah! Para não perder o costume, segue o palpite: 2 a 0 Canarinho!

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