Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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25/06/2014 09h41

Lusco & Fusco - A Copa deu certo?

A Fipe antecipa que R$ 30 bilhões serão injetados nos cofres do país por conta da Copa.

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São muitos os estudos que procuram calcular os reflexos financeiros da Copa na economia brasileira. Já li diversas previsões e a que me soou mais crível foi a da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A instituição, em trabalho encomendado pelo Ministério do Turismo, antecipa que R$ 30 bilhões serão injetados nos cofres do país por conta da Copa. Além disso, quase um milhão de postos de trabalho foram abertos em decorrência da competição fifálica (permitam-se o neologismo).
Nunca entendi, muito menos depositei fé, em estudos dessa estirpe, que se propõem a fazer cálculos tão ambiciosos. Porém, quem sou eu para discutir com estatísticos, economistas e especialistas em previsões - nem sempre - certeiras do futuro?
Os dados sobre emprego são verificáveis com maior facilidade, pois há o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. De acordo com a Fipe, que se baseia nesse cadastro, 710 mil das vagas criadas em decorrência da Copa são fixas e outras 200 mil, temporárias. Apenas na cadeia do turismo, 50 mil pessoas conseguiram um lugar ao sol, ou à sombra, como prefiro.
Positiva também é a taxa de ocupação da rede hoteleira nas 12 cidades-sede, 45% acima do esperado na primeira semana de competição. E, vejam bem, não há uma alma viva que não tenha praguejado contra o movimento pornográfico dos hotéis no período pré-Copa, que elevaram os preços das diárias às alturas. Típica jogada de safadeza crônica.
Desperta minha atenção a constatação acerca do elevado número de turistas estrangeiros que desembarcaram no Brasil com as burras esvaziadas, sem money, plata ou dindin, como preferirem. Sim colegas, dentre os 600 mil turistas esperados para o Mundial, há muitos pedindo trocados na rua para comer ou se deslocar, por exemplo. Nessa categoria, encaixam-se prioritariamente os oriundos de países latino-americanos que, assim como nós, vivem com a corda no pescoço.
A cobertura da imprensa mostra viajantes dormindo em barracas, carros, rodoviárias, tomando banho em banheiros públicos ou mesmo deixando a higiene de lado. "O segredo é beber muito e depois dormir", disse ao Estado de Minas um argentino que usa o carro, estacionado em plena Avenida Getúlio Vargas, como dormitório. Assim, penso ser possível que a projeção de giro econômico na casa dos R$ 30 bilhões possa estar superestimada, devido aos gastos mais restritos de parte dos turistas que aqui chegaram ou chegarão. Vá saber.
De toda forma, a Copa mostra-se um evento de sucesso. A imprensa internacional já se rendeu. Se antes a mídia gringa jogava pedras e esculachava a competição, hoje o olhar é outro - uma revista alemã chegou a estampar na capa a Brazuca, bola oficial do certame, em chamas despencando sobre o Rio de Janeiro. 
Catástrofes anunciadas viraram "pequenos soluços", nas palavras do prestigiadíssimo New York Times. O site inglês do Yahoo exalta a qualidade do futebol apresentado na competição, o melhor espetáculo em anos. O El País, diário espanhol considerado um dos melhores jornais do mundo, simplesmente cravou: "Não era para tanto", referindo-se ao pessimismo que vigorava antes do pontapé inicial.
Novamente, há que se ter o cuidado para que não pintemos tudo de dourado. A organização do evento cometeu erros, assim como os governos envolvidos; o retorno prometido à população ainda não se concretizou da forma anunciada pelas autoridades; o sentimento de que houve muita corrupção no decorrer das obras preparatórias é grande. Nada disso deve ser varrido para a linha de fundo.
O que de fato ocorre é que a Copa não está perfeita, mas está longe da catástrofe apregoada por muitos brasileiros e estrangeiros. As constantes pauladas diminuíram as expectativas com relação ao evento. Para quem esperava o caos e se deparou com aeroportos razoavelmente bem, mobilidade sem grandes entraves, baixa adesão a protestos e receptividade ímpar e calorosa por parte do povo tupiniquim, realmente não há como deixar de exaltar que esta é "A Copa das Copas". Não será e é bom que não seja, pois esse slogan cunhado pelo marqueteiro do governo federal é mera capitalização política.
Creio que não há nada mais importante em uma Copa do Mundo do que o futebol. E, nesse quesito, sem dúvida, podemos nos orgulhar. Parece que a alma do futebol Canarinho paira sobre os estádios do país e abençoa todos os atletas. A cada rodada, a maravilha de um embate emocionante e bem jogado toma-nos de assalto. Resta-nos segurar os queixos, pois muita magia ainda vai rolar.
Exageros à parte, respondo à pergunta do título: Deu certo. 

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