Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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28/03/2014 14h27

MISCELÂNEA - Mac DeMarco

MISCELÂNEA no show de Mac DeMarco, em SP por Lucas Alves Castelli

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Não há lugar melhor para começar a conhecer a própria cidade, do que no próprio bairro em que reside. Aquele no qual você conhece os itinerários dos ônibus como a palma da mão. Ou ao menos deveria.

Como não conheço nem a palma da minha mão direito, a caminho do metrô Tatuapé, onde encontraria meus amigos para seguirmos ao Sesc Belenzinho, me pergunto se todas os músicos e fãs também sofrem desta ansiedade pré show que sempre me acompanha...

Sem mais tempo a perder pensando nisso e afim de conseguirmos os ingresso para os meus amigos, chegamos mais cedo ao Sesc. Como eles garantem facilmente e ainda sobrava tempo, saímos para dar um volta ao redor do local da apresentação e ver a grande quantidade de pessoas que lá esperavam para ver o músico canadense Mac DeMarco, naquela quinta-feira 20 de março.

O show fez parte da turnê para a divulgação do álbum “SaladDays", com lançamento previsto para o dia 31 de março. Apesar de ser considerado o 2º álbum oficial, já é o 3º registro do músico como artista solo pela Capture Tracks. O 1º é o EP chamado "Rock AndRoll Night Club" e o 2º é o álbum intitulado apenas "2". Gravado durante os meses que seguiram a turnê do álbum “2”, “SaladDays" soa exatamente como ele próprio estava após dois anos de estrada, em suas palavras: irritado e cansado. Mas isso não é ruim, muito pelo contrário.

O humor por trás das composições de “SaladDays", porém, não ressoaram em nenhum segundo durante a apresentação na capital paulista, semana passada.

Começando o show de um jeito não menos convencional para ele, DeMarcosolta um arroto (para o delírio das garotas), pede desculpas e anuncia a primeira música “Blue Boy”. A espontaneidade e a simplicidade que ele comentou em outras entrevistas buscar para a sua música, transparecem perfeitamente a cada início e final de música, assim como na relação da banda.

Durante muito momentos ao longo da noite, era impossível segurar a risada e o sorriso: seja nos momentos em que o baixista Pierce McGarry (com seu boné inconfundível do Jurassic Park) fazia piadas com o público enquanto DeMarco afinava a guitarra, seja nos intervalos das músicas nos quais o guitarra Peter Sugar tocava uma levada de Bossa Nova pra nos sentirmos, ainda mais, em casa.

Duvido alguém que estava presente nesse dia, não esboçar ao menos um sorriso, ao lembrar da piada feita por Mac que começara com o nome da artista e conterrânea Shania Twain e terminara, como numa epifania, com o de outra artista, a norte-americana Sheryl Crow.

Transitando por músicas de todos os álbuns e EP, Mac DeMarco junto aos seus amigos de banda, nos transportam também a diferentes épocas da música. Com uma sonoridade com ecos dos anos 50 e 60 (bem representadas pelas canções do primeiro EP e do primeiro álbum) até os anos 80 (como a mais nova música de trabalho deles e já uma das minhas favoritas, "Passing Out Pieces"), mas tudo com uma roupagem que só poderia ser possível pós anos 2000.

Entre tantos pontos altos da noite, com certeza, os que mais se destacam são os que envolvem as músicas do "2", provavelmente o mais conhecido entre o público brasileiro. "Cooking Up Something Good", "My Kind Of Woman", "Freaking Out The Neighbourhood", "The Stars Keep On Calling My Name” arrancaram coros do público animado, mas nenhuma chegou perto de "Ode To Viceroy", canção que DeMarco fez em homenagem a marca de cigarros Viceroy.

Se ainda restavam dúvidas quanto a musicalidade e a qualidade instrumental de um dos 4 ao longo do show, durante o bis com cover de "Enter Sandman" do Metallica, elas caíram por terra, pricipalmente quanto ao baterista Joe McMurray. O que dizer, também, da versão de "Blackbird" dos Beatles e da brincadeira com Eddie Vedder e a música do Pearl Jam? E o final, então, não poderia ser mais emblemático e condizente ao espetáculo. Com direito a canção “UnknownLegend” do, também canadense, Neil Young e agradecimento especial de Mac para o produtor que os trouxeram para nosso país, colocando-o sobre os ombros nos minutos finais da canção.

Não só por Mac DeMarco, mas todos na banda e no show pareciam estar onde queriam e fazendo o que sempre desejaram: tocando e ouvindo músicas com os amigos, com uma única e exclusiva intenção, o divertimento antes do show business. 

Se todos artistas sofrem de ansiedade antes do show, eu não sei. Mas pelo jeito Mac DeMarco e a sua banda de amigos, não. Parece que eles só estão dando uma volta pelo bairro, tocando um som e contando piadas. Sem ao menos perceber que o bairro deles agora é o mundo.

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