Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

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13/02/2014 09h35

Miscelânea - Poesias Escolhidas

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O Miscelãnea de hoje, está poético;  Nessas minhas viagens virtuais, deparei-me com um blog, que pelo título me deixou extremamente curiosa, Tatami e Coisa e Tao, fui até lá, e me surpreendo com a delicadeza e carinho desse espaço, e seus poemas e contos, sem pretensão estética, e abordando nosso cotidiano, de forma inteligente, Renata Braz (autora do blog), gosta de brincar com o duplo sentido das palavras. Seu blog com apenas 9 meses já teve mais de 12 mil acessos, e isso resultou o convite para ter alguns de seus poemas publicados no primeiro volume da antologia, CEM VOZES DE UMA ALMA, uma produção independente, com previsão de lançamento para fevereiro/14. Conheçam um pouco de Renata Braz:

ASAS

E aprisionado por mentes ordinárias

Perdeu, aos poucos, a vontade de voar.

Por fim, nem se lembrava

Do talento que possuía.

Deixou-se transformar num Ícaro sem sonhos.

Era apenas mais um homem amargo

No meio de tantos outros.

Procurou não se destacar.

Misturou-se à massa comum.

Mas, nada apaga a luz verdadeira.

Sua genuína natureza se manifestou.

Logo suas asas desabrocharam

E a todos ele se revelou.

Foi visto, pela última vez,

Dando cambalhotas no ar.

O horizonte o acolheu.

Plantados no chão, restaram os banais.

Muitos nem perceberam o homem que voava.

Outros, assustaram-se, mas

Logo voltaram à vidinha rasa.

Alguns, no entanto, foram vistos

olhando as próprias costas,

A questionar onde estariam suas asas.

DIGITAIS

Fiz uma esfoliação corporal

Foi inócuo, foi em vão

Suas digitais continuam em mim
Não se foram com o banho

Com a pele morta, enfim.

É desesperador

Estão por todo lado,

Saudáveis e vivas

Marcando cada centímetro meu

Fossilizadas por sua saliva

Ficaram feito tatuagem

E não me resta outra solução

A não ser acostumar-me
Com tão doce aflição

Quando olho-me no espelho

O meu corpo nu

Vejo aqueles dígitos ainda fortes

Impressão em traço sinuoso

Que desenha o caminho de suas mãos

Indicando a trajetória do gozo

FARSA DO CORDEL

Tu vais pro recôncavo

E me deixas aqui, cheia de mel

Que mantenho no favo

E depois derramo num tonel

Pra quando voltares, tu, o "Bravo"

Bem fresco o saboreies, à granel

Tento fazer um conchavo

Fico mais afável

Ofereço-te até um cravo

Mas, eu sei...é inviável

Porém, não proponho agravo

Seria muito cruel

Rascunho num pedaço de papel

Que não vale um centavo

Um projeto de cordel

Teço o meu adeus escravo

Desalinho o carretel

E me enterro no chão que cavo

Renata Braz, Paulista,  bacharel em Direito, poetisa e escritora,

 

Tatami, coisa e tao: www.tatamicoisaetao.blogspot.com

 Fanpage:  www.facebook.com/tatamecoisaetao

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