Bom Dia - O Diário do Médio Piracicaba

notícias

05/12/2013 01h20

Amilcar de Castro - Repetição e Síntese

Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte recebe a exposição

Compartilhe

Nessas férias, o CCBB de Belo Horizonte oferece uma programação imperdível para toda a família. Mais de 500 obras do mineiro Amilcar de Castro estão em exposição até o dia 27 de janeiro de 2014. São esculturas, gravuras e desenhos – alguns deles inéditos – que dialogam entre si e oferecem um panorama completo da obra do artista.

Localizado na Praça da Liberdade, na capital mineira, o prédio da antiga Secretaria de Segurança do Estado de Minas Gerais abriga hoje o CCBB.

A exposição “Amilcar de Castro – Repetição e Síntese”, no local, é totalmente gratuita. Além da exposição, uma programação educativa foi especialmente pensada para atender, principalmente, às crianças.

Com curadoria do também mineiro Evandro Salles, a exposição reúne 520 obras entre pinturas, desenhos, gravuras e esculturas em materiais diversos como aço, madeira e vidro, apresentando uma grande panorâmica da obra de Amilcar de Castro, um dos maiores artistas brasileiros de todos os tempos.

Ocupando todo o 3º andar e o pátio do CCBB na Praça da Liberdade, “Amilcar de Castro - Repetição e Síntese” é uma mostra antológica da obra do artista mineiro, com obras pertencentes às três maiores coleções existentes, todas localizadas em Minas Gerais: a coleção do Instituto Amilcar de Castro, criado pela família do artista após sua morte e que reúne seu espólio; a Coleção Marcio Teixeira, de Dom Silvério, que é o maior colecionador particular; e a Coleção Allen Roscoe, que reúne um grande número de suas gravuras.

Extremamente produtivo, Amilcar de Castro criou, ao longo de sua vida, uma extensa obra usando diversas técnicas e materiais: o desenho, a gravura (particularmente a litografia), a escultura e a pintura.

Tendo o desenho como matriz de toda a sua criação, a escultura surgiu a partir do corte e dobra de pesadas e densas chapas planas de aço – material particularmente relacionado a Minas Gerais – placas tratadas visualmente como se fossem folhas de papel. Daí a impressão de leveza dessas esculturas que, apesar de parecerem suspensas no espaço, chegam a pesar muitas toneladas.

Esse efeito é alcançado através da técnica criada pelo artista em 1950, chamada de “corte e dobra” das placas de aço. Essa foi a grande colaboração de Amilcar de Castro à história da escultura moderna. A mostra do CCBB apresenta a coleção completa, poucas vezes vista em sua totalidade, das 140 esculturas de corte e dobra criadas pelo artista ao longo de sua vida.

A escultura também está presente em outros quatro conjuntos de trabalhos: uma extraordinária coleção de mais de cem esculturas de madeira em várias dimensões realizadas no final da vida do artista; uma coleção de esculturas chamadas apenas de “corte” feitas com pesadas placas de aço de 10 cm de largura; um grupo de esculturas denominadas por Amilcar de “colunas” feitas com toras brutas de madeira e chapas de vidro; e, finalmente, uma seleção de suas clássicas esculturas de “corte e dobra” feitas em grandes dimensões, das quais algumas ocuparão o pátio do edifício.

 “Amilcar de Castro – Repetição e Síntese” também abriga o maior conjunto de gravuras apresentados em exposição. Serão 52 obras, algumas com apenas 10 centímetros e outras edições experimentais únicas com até 2 metros de comprimento. Uma coleção de desenhos clássicos feitos pelo artista na década de 1980 com pincel e nanquim sobre papel também será apresentada, além de um grande conjunto de desenhos de projetos de esculturas, também inéditos. Feitos a lápis em cuidadosa geometria, as ilustrações vão proporcionar ao público maior intimidade com os processos de criação das esculturas.

O lado pintor de Amilcar de Castro também será apresentado, por meio de telas de grandes dimensões, produzidas na década de 1990, quando Amilcar se dedicou de maneira particular a essa técnica. São todas pinturas de extrema simplicidade formal e enorme impacto visual. A maior tela mede quase 5 metros de comprimento.

Completando o espaço expositivo, em uma sala de leitura o público poderá consultar livros e publicações sobre o artista. Um livro-catálogo será editado registrando toda a exposição e estará disponível ao público em dezembro.

Sobre o artista

Amilcar Augusto Pereira de Castro nasceu em Paraisópolis, Minas Gerais, em 8 de junho de 1920 e faleceu em Belo Horizonte, no ano de 2002. Foi escultor, gravador, desenhista, designer gráfico e professor. Estudou na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) de 1941 a 1945. A partir de 1944, inicia seus estudos de arte no curso livre de desenho e pintura de Alberto da Veiga Guignard (1896 - 1962), na antiga Escola do Parque, em Belo Horizonte. Depois disso, estuda escultura com Franz Weissmann (1911-2005), seu futuro companheiro no movimento neoconcreto. Em 1952 muda-se para o Rio de Janeiro onde trabalha como designer gráfico em diversos periódicos, revistas e jornais, destacando-se a importante reforma gráfica realizada por ele no Jornal do Brasil, o que desencadeou uma transformação visual e editorial em toda a imprensa brasileira.

Depois de entrar em contato com a obra do suíço Max Bill (1908-1994), realiza sua primeira escultura construtiva, exposta na Bienal Internacional de São Paulo de 1953. Em 1956 participa de exposições do grupo concretista no Rio de Janeiro e em São Paulo, e 1959 assina o Manifesto Neoconcreto.

Em 1971, depois de permanecer nos Estados Unidos desde 1968 através de bolsa de trabalho da Guggenheim Foundation, retorna a Belo Horizonte onde assume atividades de professor na Escola Guignard, na qual trabalhou, inclusive como diretor, até 1977. Também leciona na Faculdade de Belas Artes da UFMG entre as décadas de 1970 e 1980. Em 1990 aposenta-se da docência, passando a dedicar-se exclusivamente à produção artística. Falece em 2002, depois de inaugurar seu atelier de Nova Lima projetado por Allen Roscoe, onde hoje funciona o Instituto Amilcar de Castro.

Ao lado de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Ligia Pape, Amilcar de Castro foi um dos mais importantes expoentes do movimento neoconcreto, fundamental na arte brasileira.

 

Bom Dia Online- Copyright © 2013. Todos os direitos reservados.

by Mediaplus